
A rota do dinheiro sujo sofreu um duro golpe nesta semana. A Polícia Federal (PF) assumiu a investigação de um caso escandaloso que tem todas as características de lavagem de dinheiro e corrupção grossa: a apreensão de uma maleta recheada com R$ 1,7 milhão em espécie que viajava com destino a Brasília.
O flagrante ocorreu na última quinta-feira (29), na BR-050, altura do município de Cristalina (GO), a cerca de 280 km da capital. Agentes do Comando de Operações de Divisas (COD) da Polícia Militar de Goiás pararam um veículo em uma abordagem de rotina e encontraram o “tesouro” inexplicável.
Dentro da maleta, a polícia encontrou nada menos que 17 mil cédulas de R$ 100. Ao serem questionados, os dois ocupantes do veículo ficaram mudos. Nenhum deles conseguiu apresentar documentos que comprovassem a origem da fortuna ou dar uma explicação mínima sobre o motivo de transportarem tanto dinheiro vivo.
Os primeiros levantamentos da investigação apontam para o óbvio: os suspeitos não possuem capacidade econômica compatível com o montante. Para a polícia, eles são clássicos “laranjas” — intermediários usados para blindar os verdadeiros donos do dinheiro e, principalmente, os destinatários finais.
Diante do volume astronômico de recursos e do destino da viagem (o Distrito Federal), a ocorrência foi imediatamente transferida para a Superintendência da Polícia Federal no DF.
A principal linha de investigação tenta responder a uma pergunta que assusta muita gente poderosa: para quem era esse dinheiro? Uma das hipóteses mais fortes analisadas pelos investigadores é a de que os valores seriam usados para o pagamento de propinas, abastecendo esquemas ilícitos na capital da República.
Agora, a PF trabalha para reconstruir o caminho das cédulas: de onde saíram, quem mandou entregar e quem receberia a encomenda milionária. O dinheiro permanece apreendido e passará por perícia e cruzamento de informações financeiras.
Os nomes dos envolvidos não foram divulgados, e a PF mantém o inquérito sob sigilo. Mas o fato é um só: alguém em Brasília ficou sem receber a “encomenda” de R$ 1,7 milhão, e a sociedade exige saber quem.
