
Angústia e revolta resumem os sentimentos dos familiares de Iranildes Rodrigues Santos. A pedagoga de apenas 57 anos faleceu no dia 11 de agosto, após três dias de internamento, em condições precárias, no Hospital Menandro de Farias, em Lauro de Freitas. Passados mais de 20 dias, os parentes vivem uma busca incessante por respostas e explicações para o que causou a morte.
A família acusa o hospital de negligência e omissão no atendimento e foram protocoladas denúncias na polícia civil, no ministério público e no Conselho Regional de Medicina da Bahia. Segundo o relato apresentado nas denuncias, Iranildes apresentava manchas na pele, inchaços nas articulações e febre, mas que nem nas UPA’s, nem no Hospital Menandro, os médicos de plantão chegaram a um diagnóstico com precisão. Tanto que há divergências entre o Atestado de Óbito do Hospital, o laudo do Instituo Médico Legal, o resultado do teste de farmácia e as informações passadas pelos médicos aos familiares.
O prontuário médico apresenta erros, omissões rasuras e inconsistências que trazem à tona ainda mais questionamentos. Em nota, a secretaria de saúde do Estado disse que o hospital forneceu à família a guia para o IML e o prontuário médico completo. O caso também está sendo avaliado por um promotor do MP.
Entenda o caso:
Segundo os filhos, Samuel e Tiago, a mãe começou a se sentir mal no ínicio do mês e após a passagem por três UPA’s, sem a devida atenção, a realização de um teste de farmácia que atestou infecção por Zica Vírus, e alguns dias de repouso e tratamentos paliativos para dor, levaram Iranildes para o Menandro, em busca de uma avaliação mais criteriosa. Ao invés disso o que viveram foi uma sequência de descaso, negligências e falta de estrutura. Logo na recepção, tiveram que aguardar cerca de cinco horas até que ela tivesse o primeiro atendimento.
“Ela chegou com total desorientação no Menandro, às seis da tarde e só deu entrada às onze horas da noite. E mesmo assim ela ficou no corredor, passou a noite inteira no corredor. Nem lençol tinha. Uma enfermeira que conseguiu duas jaquetas, uma pra forrar a maca e outra pra ela se cobrir”, afirmou Tiago Rodrigues.
Ainda segundo o filho da paciente, as condições da enfermaria eram degradantes, com muito calor, ar condicionado quebrado, lotação acima da capacidade e falta de equipamentos e profissionais para atendimento. E, nesse cenário, o quadro da mãe piorou e cinco minutos após a aplicação de uma medicação Iranildes morreu. “Quando eu chamei o médico ela passou um medicamento chamado Haudol, que é um antipsicótico e que não tinha nada a ver com o quadro dela. E ela (a médica) me disse que ela morreu de dengue hemorrágica”, ressaltou.
