
O colapso do Banco Master não foi apenas uma manchete de jornal; tornou-se o maior desastre financeiro coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) desde a sua criação, em 1995. Números divulgados nesta semana confirmam o tamanho do buraco: o FGC já desembolsou impressionantes R$ 32,5 bilhões para ressarcir investidores lesados pela instituição.
Até o momento, cerca de 580 mil pessoas a maioria titulares de CDBs (Certificados de Depósito Bancário) atraídos por promessas de retornos elevados receberam suas indenizações. Os pagamentos começaram em janeiro, logo após o Banco Central autorizar a liquidação e consolidar a lista de credores.
A estimativa é que a fatura final ultrapasse a casa dos R$ 40 bilhões. Para se ter ideia da gravidade, esse volume representa um recorde absoluto na história do mecanismo de garantia brasileiro.
O episódio reacende o debate sobre a fiscalização do sistema financeiro. O Banco Master operava com modelos de captação agressivos, oferecendo taxas muito acima da média do mercado para atrair capital rapidamente. Agora, o FGC que é sustentado por contribuições de todos os bancos do país é quem paga a conta da irresponsabilidade.
Embora o fundo tenha agido para estancar a sangria, nem todos sairão ilesos. O processo de pagamento segue as regras estritas do regulamento:
Isso significa que investidores que apostaram alto no grupo Master e ultrapassaram esses tetos não receberão os valores excedentes. O prejuízo para grandes aplicadores é certo.
O FGC informou que o processo ainda não acabou. Há diversos pedidos em análise travados por pendências cadastrais, validação de documentos ou confirmação de dados bancários. Esses casos estão sendo processados de forma escalonada.
O caso Master serve como um alerta duríssimo para o mercado e para os poupadores: quando a oferta é boa demais (retornos astronômicos), o risco de o “santo” ou o banco ser de barro é real.
