
O conceito de idolatria muitas vezes é banalizado no futebol moderno, mas na noite desta terça-feira (27), em Salvador, ele foi redefinido. Dez anos após encantar o Brasil com a camisa rubro-negra, Marinho está de volta ao Vitória. E o reencontro não poderia ser diferente: multidão, gritos de guerra e um jogador visivelmente emocionado, chorando nos braços do povo.
Recebido em um shopping da capital baiana aos gritos de “Ah, é Di Marinho”, o atacante de 35 anos desabou. Entre lágrimas, deixou claro que não voltou a Salvador para passear, mas para pagar uma dívida de gratidão e amor.
“Não vim para ser estrela, vim para ser mais um torcedor no campo e honrar a camisa” disparou o jogador, levando a torcida ao delírio.
Sincero e direto, como sempre foi, Marinho reconheceu que o tempo passou. O jogador que retorna não tem mais a explosão física do garoto de 2016, mas garante que sobra experiência e preparo físico.
Durante a apresentação, ao lado do diretor Sérgio Papellin, Marinho protagonizou um momento descontraído ao levantar a camisa e mostrar o abdômen trincado, provando que o “tanque” está em dia.
“O que podem esperar de mim com certeza não é o Marinho de dez anos atrás, mas me encontro em totais condições ainda. Ou então eu estaria em casa bebendo água de coco. Se vim é porque tenho muito a entregar”, afirmou.
Marinho revelou que a negociação envolveu sacrifícios financeiros e recusa a propostas de outros clubes. Segundo ele, o “namoro” antigo com o Vitória só virou casamento agora porque o coração falou mais alto.
O atacante contou que, mesmo longe, acompanhava o time sofrendo na Série C através de aplicativos e que a pressão da torcida nas redes sociais foi fundamental para convencer o presidente Fábio Mota.
“Nunca pensei em salário. Eu disse que ia provar que eu era Vitória, assinei o contrato e estou retornando para a minha casa. Baixei aplicativo para ver esse time na Série C… Vai ter jogos que talvez eu não vá tão bem, mas vou deixar minha vida por esse time.”
Marinho chega com moral de dono do time. Ele vai usar a mítica camisa 7, gentilmente cedida pelo atacante Erick (que passará a usar a 33). O ídolo fez questão de agradecer a gentileza do companheiro, chamando-o de “menino bom”.
E para quem acha que ele vai demorar a jogar, o recado foi dado: Marinho já está no BID e se colocou à disposição do técnico Jair Ventura para a estreia do Vitória no Campeonato Brasileiro, contra o Remo, já nesta quarta-feira.
“Sou fominha pra caramba. Falei que estou à disposição. Sempre treinei muito… Amanhã posso (jogar), sim”, garantiu.
O “Di Marinho” voltou. E se depender da promessa de “entregar corpo e alma”, o Barradão vai voltar a ferver como em 2016.
