
A sanha do Partido dos Trabalhadores por controle total sobre os pilares da economia brasileira ganhou um novo capítulo nesta semana. Usando como “escada” a recente crise e liquidação do Banco Master, o líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai, defendeu abertamente a revisão da autonomia do Banco Central (BC).
Em um movimento classificado por analistas de mercado como puro oportunismo político, Uczai argumentou que a independência da instituição conquistada para proteger o poder de compra do brasileiro contra interferências políticas deve ser “limitada”. Para o parlamentar, o caso Master expôs falhas que justificariam uma maior “integração” (leia-se submissão) do BC às diretrizes do governo Lula.
O discurso petista segue a cartilha clássica: culpar as instituições independentes pelos problemas do país para justificar o aumento do controle estatal. Uczai afirma que a falta de sintonia entre as decisões do BC e a política econômica do governo “freia o desenvolvimento”.
Na prática, o que o PT deseja é que o Banco Central baixe os juros “na marra”, ignorando os fundamentos técnicos e a responsabilidade fiscal. Ao atacar a autonomia, o partido mira no último obstáculo que impede o governo de imprimir dinheiro ou manipular a economia para fins eleitorais, sem se preocupar com a inflação que corrói o salário do trabalhador.
Curiosamente, o próprio líder do PT elogiou a atuação do atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, pela rapidez na liquidação do Banco Master. O parlamentar admitiu que a intervenção ocorreu no momento adequado.
A contradição é evidente: se a autoridade monetária agiu com eficiência e técnica sob o modelo atual, por que destruir a autonomia da instituição? A resposta parece estar no desejo de vingança contra a política de juros altos, que o governo insiste em culpar pela sua própria incapacidade de gerar crescimento real através de investimentos e segurança jurídica.
Especialistas em economia conservadora alertam que o fim da autonomia do Banco Central seria um salto no escuro rumo ao modelo que destruiu economias vizinhas, como a da Argentina e da Venezuela. Quando a política coloca as mãos na “maquininha” de dinheiro e nas taxas de juros, a confiança do investidor desaparece e o caos econômico se instala.
O movimento de Pedro Uczai não é sobre fiscalização bancária, mas sobre o desejo do PT de silenciar qualquer autoridade técnica que ouse dizer “não” aos planos populistas do governo.
