
O que deveria ser um evento institucional na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) transformou-se em um cenário de hostilidade contra a liberdade de imprensa nesta terça-feira (3). A assessoria de comunicação do governador Jerônimo Rodrigues (PT) protagonizou um episódio de desrespeito aos profissionais que cobriam o evento, culminando em ataques verbais e acusações graves.
A confusão começou antes mesmo de o governador falar. Inicialmente, a equipe de comunicação de Ondina informou aos repórteres que Jerônimo não concederia entrevista. Diante da insistência dos jornalistas que aguardavam no local, houve uma mudança de decisão: o governador aceitou responder, mas impôs uma “mordaça” parcial, limitando a interação a apenas duas perguntas para todo o grupo de profissionais presentes.
O clima, que já era tenso, azedou definitivamente ao término da breve entrevista. Um assessor do governo afirmou, em alto e bom som, que determinados jornalistas ali presentes estariam “a serviço da Prefeitura de Salvador”, recebendo “milhões de reais” com o objetivo único de constranger o governador Jerônimo Rodrigues.
A declaração criminosa e sem provas provocou indignação imediata no Comitê de Imprensa da ALBA.
A repórter Cíntia Kelly, do portal Aqui Só Política, uma das profissionais atingidas pelo clima de hostilidade, classificou a situação como “lamentável” e um claro desrespeito ao exercício do jornalismo. O jornalista Alexandre Galvão, do site Se Ligue Bahia, reforçou o coro das críticas, lembrando que esse tipo de comportamento por parte da equipe do governador não é um fato isolado e já teria ocorrido em ocasiões anteriores.
As entidades que representam a imprensa na Assembleia reagiram com firmeza. O presidente do Comitê de Imprensa, Osvaldo Lira, e o vice-presidente Ramon Margiolle (dos portais Muita Informação e Informe Baiano) condenaram veementemente a conduta da assessoria de Jerônimo Rodrigues.
Em nota de solidariedade aos colegas, as lideranças expressaram repúdio à tentativa de criminalizar o trabalho jornalístico e reafirmaram que o papel da imprensa é questionar, independentemente de quem esteja no poder.
Até o momento, o Palácio de Ondina não se manifestou oficialmente sobre as declarações de seu assessor ou sobre o pedido de desculpas exigido pelos profissionais da ALBA.
