
O clima esquentou no setor cacaueiro baiano. Produtores de todo o estado, representados pela Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC), têm um encontro marcado com o governador Jerônimo Rodrigues (PT) nesta quarta-feira (4). O motivo? A sobrevivência da lavoura local contra a “importação desenfreada” que está inundando o mercado nacional e derrubando os ganhos de quem produz em solo brasileiro.
O centro da polêmica é a Instrução Normativa (IN) 125. Aprovada ainda no governo Bolsonaro, a medida segue em vigor sob a gestão atual, funcionando como um tapete vermelho para o cacau importado. Segundo a presidente da ANPC, Vanuza Barrozo, a norma beneficia diretamente gigantes como Barry Callebaut, Cargill e OFI, que possuem infraestrutura industrial pesada e preferem comprar de fora a valorizar o produtor local.
“O governador do estado não tem o poder da caneta, mas ele deve ter total interesse em se alinhar aos produtores para levar essas demandas ao governo federal”, afirmou Barrozo em entrevista à rádio Antena 1 FM nesta terça-feira (3).
Embora exista um projeto de lei do deputado federal Zé Neto (PT) para revogar a instrução, o processo caminha a passos de cágado no Congresso Nacional. Cansados de esperar por soluções burocráticas, os produtores decidiram levar a briga para as rodovias.
O setor já realizou bloqueios no mês passado e o calendário de novas manifestações está lotado para esta semana:
A mensagem dos produtores é clara: se o governo não agir na mesa de negociação, as estradas continuarão paradas. O cacau baiano pede socorro, e a resposta agora está nas mãos do Palácio de Ondina.
