
O início da manhã desta quarta-feira (15) transformou-se em um teste de paciência e de resistência para milhares de soteropolitanos. Uma caminhada organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) iniciada no dia 8 de abril, em Feira de Santana, causou um congestionamento quilométrico. Os impactos no trânsito foram sentidos inclusive na região do Acesso Norte sentido avenidas ACM e Paralela.
Com bandeiras e palavras de ordem, os manifestantes ocupam faixas da pista, criando um engarrafamento quilométrico que já transborda para as avenidas de acesso e trava o fluxo nos bairros vizinhos. Dentro dos ônibus lotados e dos carros particulares, o sentimento é um só: indignação.

O que diz o MST
A marcha é compreendida como um espaço de formação e construção coletiva. Para Sintia Paula, da Coordenação Nacional do Movimento na Bahia, o ato vai além da denúncia. “Marchar é um processo educativo, é a pedagogia do nosso povo. Marchamos por terra, por escola, por crédito, por moradia digna. Marchamos para que nossa juventude tenha acesso à educação, para acabar com o analfabetismo no campo e na cidade. É um espaço de esperança e de construção coletiva de um projeto de vida digna”, ressalta.
Com o lema “30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás: por memória, justiça e Reforma Agrária Popular”, a marcha estadual reafirma o compromisso do MST com a luta pela democratização do acesso à terra e por um novo modelo de desenvolvimento no campo.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Transalvador tentam monitorar a situação, mas as opções de desvio são escassas e já estão saturadas. O impacto econômico da paralisação de uma via como a BR-324 em horário de pico é incalculável, afetando desde o transporte de cargas até a prestação de serviços essenciais.
A crítica que ecoa nas redes sociais e nas buzinas presas no trânsito é a mesma: a legítima busca por terra e direitos no campo não deveria passar pelo cerceamento do direito de ir e vir do cidadão urbano. Em Salvador, hoje, a bandeira da reforma agrária foi erguida sobre o prejuízo de quem acorda cedo para manter a cidade funcionando.
