
A prefeita de Araci, Maria Betivânia Lima da Silva, a Keinha (PDT), vive seus dias mais tensos no comando do município do nordeste baiano. O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) retomou o julgamento que apura graves denúncias de abuso de poder político e assédio eleitoral cometidos durante o pleito de 2024. O placar parcial já acende o sinal vermelho na prefeitura: 2 a 1 pela cassação do mandato.
A decisão, embora ainda não finalizada, já indica que a maioria dos magistrados vê elementos suficientes para afastar a gestora.
O coração do processo é um vídeo que circulou amplamente e chocou a opinião pública. Nas imagens, Keinha aparece em um evento político pressionando servidores comissionados a declararem apoio total à sua chapa. A frase disparada pela prefeita não deixou margem para dúvidas: “Ou você quer a família 12 por inteira ou vaze”.
Para os desembargadores Moacyr Pitta Lima e Maízia Seal Carvalho, que votaram pela cassação, a fala é uma evidência clara de tentativa de intimidação, usando cargos públicos como moeda de troca eleitoral. Maízia foi além e defendeu que, além de perder o mandato, Keinha deve ficar inelegível. Um terceiro voto divergiu, pedindo a absolvição.
O julgamento foi suspenso após pedidos de vista do presidente do TRE-BA, Abelardo da Mata, e do desembargador Ricardo Maracajá, que ainda devem proferir seus votos.
O Ministério Público Eleitoral (MPE) também não deu trégua. O procurador Cláudio Gusmão manteve o parecer favorável à cassação, destacando que a prefeita deve arcar com as consequências de seus atos. Além das ameaças gravadas, Keinha e a vice-prefeita, Gilmara Goes Magalhães (PSD), são acusadas de promover uma verdadeira “caça às bruxas” na prefeitura, com transferências e exonerações de servidores que ousaram apoiar a oposição.
Vale lembrar que o caso já havia passado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), que firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para tentar frear o assédio dentro da máquina municipal. Na primeira instância, a Justiça aplicou uma multa de R$ 150 mil, mas a oposição recorreu ao TRE-BA exigindo a punição máxima: a perda do cargo.
Se o placar de cassação for confirmado após os votos de vista, o TRE-BA deve determinar o afastamento imediato da prefeita e a realização de novas eleições em Araci. Até lá, Keinha segue despachando no gabinete, mas com a sombra da Justiça Eleitoral cada vez mais próxima de encerrar seu ciclo no poder.
