
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), parece ter adotado uma nova estratégia de comunicação: o vitimismo institucional. Em um vídeo que viralizou nas últimas horas, o chefe do executivo estadual aparece em um tom de quase lamento, afirmando que a classe política da qual ele faz parte e que o PT domina no estado há duas décadas é vítima de perseguição e incompreensão.
“Nós somos muito martirizados na condição de políticos. Muito. Nós somos muito injustiçados às vezes”, declarou o governador.
A fala, no entanto, serviu de “combustível” para a oposição e para internautas, que rapidamente criaram montagens confrontando as palavras de Jerônimo com a realidade dos fatos que estampam as páginas policiais e de política.
O vídeo que circula nas redes sociais contrapõe o desabafo de Jerônimo a uma série de episódios envolvendo aliados diretos e figuras do seu partido:
A internet também ironizou a postura do governador em relação a obras estruturantes. Ao ser questionado sobre a tão prometida e nunca iniciada ponte Salvador-Itaparica, Jerônimo afirmou que não trabalha para “inaugurar”, mas espera que “outro inaugure”, em uma clara demonstração de falta de pressa com um dos maiores problemas de mobilidade do estado.
Para fechar o combo do deboche, internautas apelidaram o discurso de Jerônimo de passaporte direto para a “Coitadolândia”, um local imaginário onde políticos que detêm o controle da máquina pública se sentem “machucados” quando são chamados de “todos iguais” ou cobrados por resultados.
A resposta é clara: martirizado não é o político que goza de privilégios, verbas publicitárias bilionárias e poder de mando. Martirizado é o cidadão baiano que sofre com a liderança nacional em mortes violentas, com o desemprego de dois dígitos e com a sensação de que o dinheiro público está sendo usado para tudo, menos para o bem comum.
