
O megaprojeto, que promete ligar a capital baiana à Ilha de Itaparica, voltou ao centro das discussões públicas devido ao descompasso entre o alto volume de dinheiro estadual já empenhado e o ritmo de execução física da obra ao longo dos últimos anos.
Até o momento, o montante repassado pelo Governo do Estado para viabilizar a concessão o que inclui principalmente os aportes para o Fundo Garantidor do projeto ultrapassa a cifra de R$ 720 milhões. Desse total, parcelas significativas foram financiadas através de operações de crédito, gerando questionamentos sobre o endividamento estatal necessário para dar segurança financeira ao consórcio chinês responsável pela estrutura.
Obras no mar iniciadas apenas em 2026
Apesar de os contratos estarem assinados e das promessas governamentais acumularem anos de expectativa, a movimentação real de construção civil em águas profundas só ganhou contornos práticos agora, no primeiro semestre de 2026. Entre abril e maio deste ano, foi registrada a chegada de maquinário pesado e de um navio trazendo mais de 800 toneladas de equipamentos fabricados na China diretamente para Salvador.
Esse material inédito na América Latina está sendo utilizado para montar as plataformas provisórias e iniciar o processo pesado de fundação, escavação e cravação dos pilares na Baía de Todos-os-Santos. A operação encerra um longo período restrito a sondagens rasas e trâmites burocráticos, mas deixa evidente a morosidade administrativa de um projeto tratado como a principal vitrine de infraestrutura da gestão estadual.
O peso do Fundo Garantidor no orçamento
A exigência de aportes milionários em um fundo garantidor é o principal alvo do debate econômico. O mecanismo foi estabelecido no contrato para proteger as empresas concessionárias (China Communications Construction Company e China Railway Construction Corporation) de eventuais frustrações de receita ou quebra de acordos.
Para conseguir alimentar essa conta, o Estado da Bahia precisou recorrer a sucessivos empréstimos, como a captação de mais de R$ 160 milhões junto ao Banco do Brasil ainda em 2024. A manobra inflou as despesas estaduais antes mesmo da primeira estaca de sustentação ser cravada no fundo do mar.
Impacto Fiscal: A destinação contínua de milhões de reais para garantir os lucros de um consórcio privado imobiliza uma fatia importante do orçamento, reduzindo a margem de investimento do estado em áreas críticas e urgentes.
Descompasso Físico e Financeiro: O cronograma original sofreu atrasos e aditivos recorrentes, o que agravou a desconfiança sobre a viabilidade final e o verdadeiro custo da ponte para o cidadão.
Cobranças por transparência
A disparidade entre o gasto antecipado e o início tardio das obras no mar acirrou o embate político. Integrantes da oposição na Bahia cobram maior transparência governamental sobre a gestão desses mais de R$ 720 milhões e exigem relatórios técnicos detalhados sobre como o Fundo Garantidor está sendo administrado.
A principal queixa é que o estado assumiu o protagonismo dos riscos financeiros, enquanto a execução da obra patinou na letargia. Com o maquinário finalmente operando no mar, a pressão agora se volta para o cumprimento rigoroso e sem falhas do novo cronograma, evitando que a conta para os contribuintes continue subindo de forma injustificável.
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