
A ideologia ficou em segundo plano e o pragmatismo falou mais alto. O Partido Socialista Brasileiro (PSB) está de portas abertas para receber um verdadeiro “pacotão” de adesões que inclui cinco deputados estaduais e uma das principais lideranças do interior do estado. A movimentação, prevista para março (durante a janela partidária), confirma a tese de que, na Bahia, poucos resistem longe do calor da máquina governamental.
A grande “estrela” dessa debandada é o prefeito de Jequié, Zé Cocá. Visto outrora como um pilar da oposição e tendo apoiado a chapa contrária ao PT em 2022, Cocá agora faz o caminho inverso. Sua ida para o PSB sela definitivamente seu alinhamento com o governador Jerônimo Rodrigues (PT), movimento que vinha sendo costurado desde meados de 2025 pelo secretário de Relações Institucionais, Adolpho Loyola.
Para o prefeito, o discurso de oposição ficou no passado; o foco agora é apoiar a reeleição de Jerônimo em troca de governabilidade e recursos.
Se para Zé Cocá a mudança é estratégica, para os deputados estaduais do Partido Progressista (PP) é uma questão de sobrevivência governista. A decisão da cúpula nacional do PP de formar uma federação com o União Brasil principal partido de oposição ao PT na Bahia causou pânico na bancada que se recusa a largar a base do governo.
Preferindo o conforto dos cargos e emendas governistas ao enfrentamento político, os deputados Niltinho, Eduardo Salles, Hassan e Antonio Henrique Júnior decidiram “abandonar o barco”. Todos devem migrar para o PSB, recusando-se a fazer parte de qualquer projeto que confronte o Palácio de Ondina.
O PSB não está apenas recolhendo os insatisfeitos; o partido tem um plano ambicioso de inchaço para 2026 e 2027. Com o aval prévio para receber os “refugiados” do PP, a sigla quer reeleger seus estaduais e fazer dois federais.
Os nomes para a Câmara dos Deputados já estão postos: a veterana Lídice da Mata (presidente da sigla) e Vitor Bonfim, que hoje está no PV mas é o sexto elemento dessa lista de transferências. Bonfim já se posiciona como pré-candidato a federal.
Embora sua assessoria afirme ao BNews que “nenhuma decisão foi tomada até agora” e que estão em “fase de tratativas”, nos bastidores a filiação é dada como certa. O prazo final é março, mas o acordo político para inchar a base de Jerônimo já parece ter sido selado com aperto de mãos e promessas de campanha.
Resta saber como o eleitor, que votou em candidatos de um partido de centro-direita (PP) ou oposição, reagirá ao vê-los agora vestindo a camisa do socialismo e pedindo votos para o PT.
