Desaprovação de Lula sobe para 52,9% com forte salto entre jovens e baixa renda, aponta AtlasIntel

Pesquisa mostra perda de apoio entre mulheres e no Sudeste; investigação sobre Fábio Luís também é avaliada pelo eleitorado

A desaprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a crescer, atingindo 52,9%, segundo a nova rodada da pesquisa AtlasIntel Bloomberg divulgada nesta segunda-feira (31). O índice representa um aumento de quase dois pontos percentuais em relação aos 51% registrados em julho. Em contrapartida, a aprovação do mandato recuou de 48% para 45,4%, com 1,7% dos entrevistados não sabendo responder.

A queda na popularidade do presidente foi puxada por segmentos que historicamente compõem partes importantes de sua base eleitoral.

Queda em setores estratégicos

Os dados da AtlasIntel detalham uma deterioração significativa da imagem do governo em grupos específicos entre julho e agosto:

  • Jovens (16 a 24 anos): Foi onde ocorreu a variação mais drástica. A desaprovação saltou de 42,7% para impressionantes 76,9% — uma diferença de 34,2 pontos percentuais.
  • Baixa renda (até R$ 2 mil mensais): A rejeição ao governo avançou de 43,7% para 61,1% neste grupo.
  • Mulheres: A desaprovação apresentou um aumento de cerca de quatro pontos percentuais.
  • Região Sudeste: No maior colégio eleitoral do país, a avaliação negativa passou de 53,4% para 57,5%.

O impacto do “Caso Lulinha”

A pesquisa também aferiu a percepção pública sobre as investigações da Polícia Federal envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente. Ele é alvo de três inquéritos que apuram suposto tráfico de influência e corrupção junto a órgãos do governo federal (como o Ministério da Saúde e a Dataprev) para favorecer empresários, alegações que ele nega.

Os números mostram que o caso tem repercutido na imagem da gestão petista:

  • 55,1% avaliam que as investigações atingem diretamente o governo Lula.
  • 52,6% acreditam que a atuação de Fábio Luís pode ter influenciado decisões federais para beneficiar empresários próximos.
  • Questionados sobre o impacto na imagem da administração, 43,4% dizem que o episódio a prejudica e 17,3% afirmam que “piora muito”. Outros 37,5% não enxergam impacto.

A visão sobre o caso reflete a polarização política do país: entre os que consideram que o episódio “piora muito” a imagem do governo, 81,6% votaram em Jair Bolsonaro (PL) em 2022. Já entre os eleitores de Lula, apenas 6,8% têm a mesma opinião.

Quanto ao impacto em uma eventual tentativa de reeleição de Lula, 34,8% acham que o caso pode prejudicá-lo muito, 24,6% veem um impacto pequeno e 36% acreditam que não prejudica.

Cenário para 2026

O levantamento também mediu o “receio eleitoral” comparando os dois principais polos da política nacional para as próximas eleições presidenciais.

A pesquisa aponta que a possibilidade de eleição de Flávio Bolsonaro (PL) preocupa uma fatia maior do eleitorado (54,5%, ante 46,6% em julho). Já a preocupação com um novo mandato de Lula também subiu, passando de 44,6% para 46,4%.

Metodologia: A pesquisa AtlasIntel ouviu 5.014 eleitores entre os dias 25 e 30 de agosto de 2026. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07972/2026.

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