
A educação na Bahia começou o ano letivo de 2026 com um novo currículo: o da guerra política. Nesta segunda-feira (9), durante a inauguração do Colégio Estadual de Tempo Integral Manoel Devoto, no bairro do Rio Vermelho, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) deixou claro que, para a gestão petista, as escolas não são apenas locais de aprendizado, mas ferramentas de perpetuação de poder e combate aos adversários.
Ao entregar a requalificação da unidade, que custou mais de R$ 21 milhões aos cofres públicos, Jerônimo não se limitou a falar de pedagogia. Em um discurso inflamado, ele definiu o investimento maciço em tempo integral como uma arma estratégica para “quebrar hegemonias conservadoras históricas” e desmantelar o que chamou de “estruturas oligárquicas” uma referência direta e nada sutil ao grupo político liderado pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil).
Para Jerônimo, cada real gasto na educação pública parece ter um alvo eleitoral. O governador classificou a visão de seus opositores como “privatista” e “elitista”, posicionando seu governo como a única barreira contra um suposto “retorno do passado de desigualdade”.
A retórica beligerante transforma estudantes em soldados de uma batalha ideológica. Ao afirmar que o modelo de ensino integral é o “maior combate” às oligarquias, o governador sugere que a função da escola pública sob sua tutela é, antes de tudo, formar militância para garantir que o grupo que comanda a Bahia há duas décadas permaneça no poder indefinidamente.
Enquanto o governador discursa contra “elites”, a realidade da segurança pública e da saúde no estado continua sangrando. O Colégio Manoel Devoto recebeu teatro, restaurante e ar-condicionado melhorias inegáveis e necessárias, mas a narrativa imposta na inauguração revela que, para o PT, a obra física é secundária diante da “obra” ideológica de manter o controle político do estado.
Jerônimo inicia 2026 seguindo a cartilha de Lula: radicalizando o discurso, dividindo a sociedade entre “nós” (os salvadores) e “eles” (os oligarcas) e usando a máquina estatal para fincar bandeiras partidárias. Resta saber se os alunos aprenderão português e matemática ou apenas a votar no 13.
