
Quem acompanhou as eleições de 2022 na Bahia sabe da diferença dessa eleição para a disputa eleitoral de 2024. Quem acompanhou as análises desse articulista/estrategista, que acertou inúmeros cenários e acontecimentos, compreenderá melhor o que falarei sobre o fenômeno Raissa Soares, a Médica do Povo.
Dra Raissa Soares só surpreendeu quem não compreende a mentalidade dessa nova direita e do efeito que as redes sociais têm gerado no processo político e eleitoral atual. A polarização veio para ficar e a tendência do debate ideológico e de ideias só aumentará nos próximos anos, criando bolhas e mais bolhas da realidade, transformando a política em torcida.
Nessa dinâmica ideológica, cada político dialogará com suas bolhas, construindo sua militância e garantindo o seu market share eleitoral para conseguir o seu tão desejado espaço de poder na esfera pública. Os parlamentares que souberem utilizar o discurso ideológico com mais propriedade conseguirão garantir o seu reduto eleitoral e sua eleição/reeleição.
Acontece que o posicionamento ideológico, mesmo que seja positivo para o político, tem custos. Vale lembrar que é impossível agradar a gregos e troianos ao mesmo tempo. Na política, o custo do posicionamento ideológico é a rejeição por parte de quem não concorda com tal vertente. Por mais que o político seja amado por um lado, ele será odiado por outro e isso é um termômetro importante na política, pois influencia a conhecida taxa de rejeição. Sua utilização e análise é mais utilizada nas disputas majoritárias.
A taxa de rejeição é um indicador tão importante quanto a intenção de voto. Isso porque, enquanto a intenção de voto mostra a força do candidato, a taxa de rejeição define o teto máximo de crescimento deste.
Candidatos que estão na frente das pesquisas eleitorais na disputa pela majoritária podem estacionar e não crescer devido à evolução da taxa de rejeição, enquanto candidatos menos pontuados podem vencer a eleição por não ter rejeição ao seu nome na ótica do eleitor.
Observe as duas maiores forças eleitorais do Brasil atual: Lula e Bolsonaro. Ambos são amados e odiados. Ambos possuem um grande quadro de eleitores ao mesmo tempo em que possuem uma grande massa de pessoas que os rejeitam. Isso é natural com políticos que assumem um lado no espectro ideológico.
Acontece que esse fenômeno da rejeição motivada pelo posicionamento ideológico não afetou a Dra Raissa Soares. A Médica do Povo conseguiu obter votos e influência tanto na direita, quanto na esquerda.
Algumas explicações podem elucidar esse fenômeno. Vou explicar alguns deles:
1 – Dra Raissa Soares surgiu em um momento extremamente delicado para a humanidade e, em especial, para o Brasil. A Médica do Povo colocou sua vida e carreira em risco para salvar a vida de mais de seis mil pacientes da COVID-19;
2 – A Médica do Povo colocou sua carreira em risco por defender a autonomia médica, para que o profissional tivesse a autonomia e liberdade para indicar o melhor tratamento para os pacientes que foram vítimas do coronavírus.
3 – Raissa é mulher e dialoga com mais de 50% do eleitorado baiano. O interesse do público feminino por política tem crescido e a sororidade beneficiou a candidata do PL ao Senado.
4 – A Dra tem uma habilidade de comunicação invejável e sabe se posicionar de forma firme, sem se contaminar pelo ranço que os posicionamentos ideológicos geralmente geram. Isso fez com que ela conseguisse fidelizar um público (direita) sem perder o público da esquerda. Raissa conseguiu se aproveitar do discurso ideológico sem arcar com os custos da rejeição que esse mesmo discurso gera.
5 – A Médica do Povo foi testada e aprovada como Secretária da Saúde e como médica. Esse selo de aprovação gerado por sua competência, foi capaz de reduzir as barreiras que a afastava do voto de eleitores de esquerda.
Todos esses pontos tornam a Dra Raissa Soares um fenômeno eleitoral e isso explica os resultados das atuais pesquisas que a colocam muito bem pontuada em várias cidades da Bahia e evidencia o seu forte poder de transferência de votos. É por essa razão que caciques políticos da Bahia estão em disputa para ver quem terá a Médica do Povo em seu quadro partidário nas próximas eleições.
Essa força que se chama Raissa Soares, na minha opinião, deve permanecer dentro do Partido Liberal (PL) para criar, junto com João Roma, uma terceira via a enfraquecer o projeto de poder do PT em nosso Estado. O carisma e competência da Médica do Povo junto com a experiência e sagacidade de João Roma poderão transformar o PL na segunda maior força política da Bahia nos próximos quatro anos.
Vamos torcer e trabalhar pelo melhor.
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