
O Brasil de 2026 assiste, mais uma vez, a um espetáculo grotesco de inversão de valores. Enquanto a Zona da Mata mineira sangra sob o peso de temporais devastadores que já deixaram 68 mortos sendo 62 em Juiz de Fora e 6 em Ubá, o governo federal decidiu que a prioridade do momento é autorizar a captação de R$ 1,6 milhão via Lei Rouanet para um musical em homenagem ao cantor Caetano Veloso.
O projeto, intitulado “CAÊ Reconvexo: um Musical para Caetano Veloso”, foi proposto pela Agência TV Pelourinho. Enquanto o Ministério da Cultura agiliza recursos para destacar de forma “simbólica e crítica” a trajetória do artista baiano, os municípios mineiros enfrentam a realidade nua e crua de mais de 3.500 pessoas desabrigadas ou desalojadas na região.
A disparidade entre o apoio cultural e o auxílio humanitário é vergonhosa. Relatórios indicam que, enquanto a União liberou apenas cerca de R$ 1,43 milhão para assistência emergencial na região, o valor destinado a apenas uma homenagem artística supera o repasse para milhares de famílias que perderam tudo.
A revolta aumenta quando se soma a esse cenário os milhões de reais já torrados em eventos como o Carnaval, enquanto as encostas de Minas Gerais continuam cedendo. Para os críticos, a necessidade de acionar a Procuradoria-Geral para barrar esse tipo de medida é urgente, visando impedir que o dinheiro do contribuinte seja drenado para “homenagens” sem sentido no momento em que a vida humana deveria ser a única prioridade.
O governo Lula tenta vender a imagem de uma gestão humanitária, mas os números mostram que, para o PT, a cultura dos amigos da corte vale muito mais do que o socorro aos brasileiros que estão sob a lama.
