
Em manifestação pública nesta quarta-feira (17), o vice-secretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, criticou duramente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cobrou do governo brasileiro uma resposta institucional à atuação do magistrado. A declaração foi divulgada pela conta oficial da Embaixada dos EUA no Brasil, gerando repercussão diplomática.
Em publicação na rede social X (antigo Twitter), Landau afirmou que os Estados Unidos “continuam a esperar que o Brasil contenha o descontrolado ministro do STF antes que ele destrua completamente a relação que nossos grandes países desfrutam há mais de dois séculos”. A fala ocorre em meio à intensificação de tensões diplomáticas após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 17 anos de prisão pelo STF por tentativa de golpe de Estado.
Segundo o diplomata americano, Moraes estaria promovendo “um abuso do processo judicial para perseguir uma agenda descaradamente política”. Landau também alertou que os Estados Unidos “não permitirão que Moraes estenda seu regime de censura ao nosso território”, numa possível referência a ordens judiciais que afetam usuários e empresas de tecnologia sediadas nos EUA.
A publicação foi endossada pela conta oficial da Embaixada dos EUA, que republicou a mensagem com tradução em português, o que foi interpretado por interlocutores em Brasília como um recado formal do governo americano.
A crítica foi motivada, segundo a imprensa americana, por um pedido de prisão expedido por Moraes contra Flávia Magalhães, uma brasileira com cidadania americana que vive na Flórida. Ela é acusada de envolvimento com grupos que atacam instituições brasileiras nas redes sociais. A ordem gerou desconforto no Departamento de Estado dos EUA, que passou a tratar o caso como extraterritorialidade indevida.
“Em vez de buscar uma solução para resolver a crise, o Brasil está permitindo que esse violador de direitos humanos, já sancionado, dobre a aposta”, escreveu Landau, em referência ao fato de Moraes ter sido incluído em uma lista informal de autoridades investigadas sob a Lei Magnitsky, legislação americana que prevê sanções a agentes públicos acusados de abusos de poder e violações de direitos humanos.
