
Na Bahia, o cenário político para 2026 começa a se desenhar com contornos de déjá vu. ACM Neto (União Brasil) iniciou um movimento de aproximação com setores da direita conservadora, buscando consolidar uma candidatura ao governo que neutralize as falhas da eleição passada. Em 2022, a falta de um alinhamento claro e o distanciamento de pautas ideológicas caras ao eleitor de direita foram apontados como fatores determinantes para a sua derrota.
Contudo, o “novo” fôlego que Neto busca parece colidir com um velho problema: sua fama de centralizador e a dificuldade em dialogar com quem não reza sua cartilha.
Nos bastidores da política baiana, a queixa é uníssona. ACM Neto é conhecido por governar e articular dentro de uma bolha impenetrável. Suas decisões e diálogos diretos são restritos ao círculo dos chamados “menudos” — um grupo restrito de aliados históricos e assessores próximos que filtram quem tem ou não acesso ao líder.
Para as novas lideranças de direita, que ganharam força orgânica no estado, a experiência tem sido frustrante. Neto quer o apoio, quer os votos, mas sequer se dispõe a ouvir as demandas dessas figuras de forma direta. Essa postura “blasé” tem gerado um sentimento de desvalorização entre aqueles que defendem uma pauta conservadora genuína e não apenas um pragmatismo eleitoral.
As críticas não vêm apenas de adversários, mas de figuras que observam de perto a dinâmica da oposição. O influenciador e político Gabriel Bandarra, conhecido como Tenóbio, expôs recentemente essa ferida. Em análise contundente, Tenóbio destacou a dificuldade de diálogo com Neto e seu grupo, incluindo o prefeito de Salvador, Bruno Reis.
“Muitas pessoas reclamando da dificuldade que se tem de falar com ele… Vejo que ele não dá o devido respeito, a devida atenção às pessoas que o apoiaram”, afirmou Tenóbio.
Para Tenóbio, essa forma de fazer política, baseada na desvalorização do aliado, foi o que custou a eleição passada e pode custar a próxima. Ele aponta que a arrogância do grupo pode levar ao esvaziamento da base: “Enquanto o grupo de ACM Neto não entender o quanto isso está prejudicando… pode ter certeza que não será eleito. E desta vez, eu acho que nem candidato será”.
Diante do tratamento recebido, cresce no estado o debate sobre a necessidade de uma candidatura que represente, de fato, os interesses da direita baiana, sem as amarras do “carlismo” tradicional. O eleitor conservador, que já demonstrou força na Bahia, começa a questionar se vale a pena apoiar um candidato que só lembra da direita em época de eleição, mas que mantém as portas fechadas para suas lideranças no dia a dia.
Se ACM Neto continuar priorizando apenas os “seus” e ignorando a força das novas lideranças conservadoras, poderá ver sua base se fragmentar antes mesmo da campanha começar. A direita baiana parece não estar mais disposta a aceitar migalhas de atenção de quem se julga “dono” da oposição.
