Kassab declara que defende anistia ampla durante evento do agronegócio em SP

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, declarou apoio à proposta de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, incluindo, ainda que de forma indireta, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e 3 meses de prisão na última semana. A posição foi externada durante evento agro no interior paulista no sábado (13) e reforçada por Kassab nesta segunda-feira (15), em entrevista coletiva em Belo Horizonte.

Instado por Valdemar Costa Neto, presidente do PL, Kassab foi direto ao afirmar que “defende a anistia”, mas, ao ser questionado se a medida incluiria ou não Bolsonaro, preferiu não esclarecer, deixando a resposta em aberto. “A anistia será debatida no Congresso. Vamos apoiar o que for decidido pelo Legislativo”, limitou-se a dizer.

Já os governadores Ronaldo Caiado (União-GO) e Romeu Zema (Novo-MG) foram mais explícitos ao manifestar apoio à anistia. Ambos defenderam que o perdão seja “amplo, geral e irrestrito”, ou seja, que também beneficie o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por incitar a tentativa de golpe e atacar as instituições democráticas.

As declarações sinalizam um movimento articulado de governadores e líderes de centro-direita e direita em torno da construção política de um projeto de anistia, cuja tramitação no Congresso deve se intensificar nas próximas semanas, diante da pressão das bases bolsonaristas.

Kassab, que preside um partido com três ministérios no governo Lula (Minas e Energia, Pesca e Agricultura), adotou uma posição estratégica ao afirmar que liberará a bancada do PSD para votar como quiser na eventual análise de uma proposta de anistia. “Cada parlamentar terá liberdade para se posicionar”, disse.

O gesto mostra que, apesar de compor a base governista, o PSD busca manter autonomia diante de temas sensíveis como a responsabilização judicial dos envolvidos nos atos antidemocráticos.

Desde que a condenação de Bolsonaro foi confirmada pelo STF, aliados intensificaram as articulações para viabilizar um projeto de anistia. A proposta encontra respaldo entre parlamentares da oposição e parte do centrão, mas enfrenta resistência do governo, de juristas e de entidades democráticas, que veem no perdão uma tentativa de deslegitimar o processo judicial conduzido pela Corte.

A tendência, segundo interlocutores no Congresso, é de que a proposta de anistia se torne um dos temas centrais da pauta política nos próximos meses, sobretudo com a aproximação do calendário eleitoral de 2026.

Caso avance, a medida pode reconfigurar o cenário político nacional, ao permitir a reabilitação de lideranças atualmente inelegíveis, incluindo o próprio Bolsonaro, e reacender o debate sobre os limites entre justiça, perdão e estabilidade institucional.

Veja Também...

Buscar
Se Inscreva no Youtube


© Copyright 2022 Sem Censura TV. Todos os direitos reservados.