
Brasília – O clima esquentou na abertura da 27ª Marcha de Prefeitos nesta terça-feira (19), em Brasília. Escalado para representar o governo federal no evento que reúne lideranças municipais de todo o país, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) enfrentou um verdadeiro teste de fogo logo nos primeiros minutos. Assim que foi anunciado, Alckmin foi recebido por um misto barulhento de vaias e aplausos.
A ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não passou despercebida nos bastidores. No ano passado, Lula foi alvo de fortes vaias no mesmo evento devido à insatisfação dos prefeitos com o pacto federativo e a demora na liberação de recursos. Desta vez, o presidente preferiu cumprir agenda em São Paulo, deixando para o vice a missão de blindar o Palácio do Planalto.
Calejado por décadas de vida pública, Alckmin não se deixou intimidar pelo barulho da plateia organizada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM). O vice-presidente aguardou as manifestações cessarem, cumprimentou as autoridades e iniciou um discurso focado na descentralização de recursos e no fortalecimento dos governos locais.
Contudo, o ponto alto de sua fala foi uma reação direta aos opositores. Alckmin subiu o tom para defender a conduta de Lula e criticar governantes que usam a máquina pública para chantagear prefeituras.
“Destacar uma coisa importante: o presidente Lula nunca perguntou para prefeito nenhum de que partido ele era, qual era sua filiação partidária. Espírito republicano. Governante não pode ser capitão do mato, perseguindo lideranças por não ser da sua filiação partidária, ameaçando com a orfandade administrativa, porque é dinheiro público”, disparou o vice-presidente, sendo interrompido por aplausos.
Após estabilizar o plenário com as críticas políticas, Alckmin recorreu ao humor para desarmar de vez a resistência dos prefeitos. Relembrando os tempos em que governou a cidade de Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, o vice arrancou gargalhadas ao contar um causo fúnebre.
“Eu era prefeito de Pindamonhangaba. Durante o meu mandato, faleceu um ex-prefeito e eu fui ao velório. Quando estou saindo do velório, um munícipe, querendo me agradar, falou: ‘Doutor, o do senhor vai ter mais gente'”, brincou.
A tirada leve quebrou o gelo definitivo do evento e Alckmin encerrou sua participação sob aplausos, mitigando o desgaste inicial.
A Marcha dos Prefeitos é historicamente um termômetro de cobrança sobre o Orçamento Federal. Para acalmar os ânimos de quem está “com o pires na mão”, Alckmin anunciou que o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, terá uma reunião fechada com Lula nesta quarta-feira (20). Resta saber se o governo federal vai responder às demandas dos municípios com verbas reais ou se os prefeitos voltarão para casa apenas com uma boa história de velório na bagagem.
