
O roteiro é o mesmo há quase duas décadas: o governador da vez viaja ao interior, corta fitas, planta mudas de árvore para a foto oficial e promete um futuro que nunca chega. Ontem (25), foi a vez de Lajedo do Tabocal e outras cidades do interior baiano receberem a comitiva de Jerônimo Rodrigues (PT). Entre inaugurações de pavimentação e sistemas de água, o que o governo tenta esconder sob o asfalto novo é o sangue que escorre nas ruas da Bahia.
Enquanto Jerônimo sorri para as câmeras, os dados oficiais gritam uma realidade que a propaganda petista não consegue maquiar: a Bahia consolidou-se como o estado mais letal do Brasil.
A agenda oficial em Lajedo do Tabocal focou em “entregas estruturantes”. No papel, milhões em investimentos. Na vida real, o “investimento” que a população mais clama — a segurança — continua em déficit. Segundo os dados mais recentes de 2025, a Bahia liderou o ranking nacional de mortes violentas, com quase 4 mil vítimas em apenas um ano.
O contraste é cruel: enquanto o governador celebra a pavimentação de ruas, essas mesmas ruas são palco de uma guerra de facções que o Estado parece incapaz (ou desinteressado) de vencer. Com pelo menos 21 facções criminosas operando em território baiano — o maior número do país —, a Bahia vive sob um estado de sítio não declarado.
Não se trata de um problema sazonal, mas de um projeto de poder que fracassou na proteção do cidadão. Sob as gestões de Jaques Wagner, Rui Costa e agora Jerônimo Rodrigues, a Bahia saltou de um estado pacato para o epicentro da violência nacional. Hoje, cidades como Jequié, Juazeiro e Feira de Santana figuram entre as dez mais perigosas do Brasil.
A estratégia do governo Jerônimo tem sido a de terceirizar a culpa. Ora a responsabilidade é do Governo Federal anterior, ora é um “desafio global”. Enquanto isso, a polícia baiana, embora brava, trabalha no limite, muitas vezes sendo alvo de críticas do próprio governo e de puxadinhos da esquerda, como o PSOL, que recentemente rompeu com a gestão citando o caos na segurança.
As inaugurações de ontem em Lajedo do Tabocal são bem-vindas, mas não resolvem o problema fundamental: de que adianta ter água encanada se você tem medo de sair à porta de casa? De que adianta asfalto novo se ele serve de via de escape para criminosos que agem à luz do dia?
A “Bahia de paz” que Jerônimo Rodrigues vende em seus discursos só existe nos comerciais de TV pagos com o seu dinheiro. Para o baiano comum, a realidade é o barulho dos tiros e a contagem de corpos. O “Mais do Mesmo” do PT cansou a Bahia. 2026 se aproxima, e a fatura dessa insegurança será cobrada por quem não aguenta mais viver com medo.
