
Nos bastidores, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estão revoltados com o voto do líder do Governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), a favor da PEC que limita os poderes da Suprema Corte, aprovada na quarta-feira (22). De acordo com Eliane Cantanhêde, colunista do Estadão, os ministros do Supremo avaliam que o endosso de Jaques Wagner à PEC é uma “traição rasteira” depois da resistência feita pelo STF ao que definiram como “golpe bolsonarista”.
Segundo a jornalista, a postura do petista levou a um ultimato do STF contra o Governo Lula: “ou ele sai, ou não tem mais papo do STF com o Planalto e o governo”. Jaques Wagner foi o único senador do PT a ir contra o próprio partido de Lula, que orientou pelo voto “não”. A PEC teve 3 votos a mais do que os 49 que são necessários para sua aprovação.
“Acabou a ‘lua de mel’ com o governo. Traição rasteira. União com os Bolsonaristas contra o STF depois de tudo que aconteceu. Jaques Wagner precisa renunciar à liderança, senão acabou a interlocução com o STF”, afirmou um ministro do STF nos bastidores.
De acordo com os ministros do STF, Jaques Wagner teria apelado para um “truque barato” para conseguir a votação necessária sem precisar comprometer a bancada do PT que votou contra a PEC. “Acham que somos bobos com esse truque barato do PT votar de uma lado e os aliados da Bahia de outro”, disse um ministro do STF para o jornal.
Os ministros do STF ainda questionaram a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na manobra. “Jaques iria fazer sem o Lula saber?”, apontou um integrante da Corte à jornalista.
