
A manhã desta quinta-feira (22) foi marcada por tensão e trânsito travado em uma das principais vias de Salvador. Ambulantes que atuavam no entorno da antiga Rodoviária realizaram um protesto na Avenida ACM para cobrar uma resposta urgente do governador Jerônimo Rodrigues (PT) diante da perda súbita de sua fonte de renda.
O grupo denuncia que a desativação do antigo terminal em Pernambués ocorreu sem nenhum olhar social para os trabalhadores informais que, há anos, dependiam daquele fluxo de passageiros. Segundo os manifestantes, o Governo do Estado simplesmente “virou a chave” para o novo local sem apresentar qualquer alternativa para quem ficou para trás.
A revolta dos trabalhadores é motivada pela sensação de invisibilidade. Eles relatam que não houve nenhum tipo de cadastro prévio, diálogo ou política pública para absorver ou realocar a mão de obra que servia à antiga estrutura.
Com o esvaziamento do local, a clientela desapareceu e o sustento de dezenas de famílias foi a zero. Cartazes exibidos durante o ato expunham o desespero da categoria: “Governador, não somos cachorros, precisamos de sua atenção” e “Queremos trabalhar. Não temos clientes”.
A crítica central do protesto não é contra a mudança em si, mas contra a forma abrupta e excludente como ela foi conduzida. “A Rodoviária mudou, mas nós ficamos aqui sem chão. Ninguém veio conversar, ninguém ofereceu uma saída. Estamos sem renda fixa desde que os ônibus pararam de circular aqui”, relatou um dos ambulantes.
Os manifestantes pedem que a gestão estadual apresente um plano de ação imediato, seja para integrar esses trabalhadores ao novo terminal em Águas Claras ou para criar condições de trabalho em outros pontos da cidade.
