“NEUTRALIDADE AFUNDA O PARTIDO”: Otto enquadra Coronel, mas crise no PSD ameaça implodir hegemonia do PT na Bahia

Em entrevista dura neste domingo (1º), cacique do PSD rejeita "muro" e expõe fratura exposta na base governista. A briga por espaço contra a "gula" do PT pode custar a reeleição de Jerônimo.

A entrevista concedida pelo senador Otto Alencar à Rádio Boa FM neste domingo (1º) foi muito mais do que um recado a um aliado insatisfeito; foi o som de rachadura na base que governa a Bahia há quase 20 anos. Ao rejeitar publicamente a proposta de neutralidade de Angelo Coronel, Otto tentou impor disciplina, mas acabou revelando que o “rolo compressor” governista está perdendo a força.

O presidente do PSD foi taxativo ao dizer que não aceitará que o partido fique em cima do muro nas eleições de 2026. “Neutralidade seria afundar o partido de uma vez só. Nenhum partido neutro vai para absolutamente lugar nenhum”, disparou Otto, tentando fechar a porta para a estratégia de Coronel de sobreviver politicamente fora do guarda-chuva petista.

O Preço da “Gula” do PT

Embora Otto tente projetar força, a crise escancara um problema estrutural: a voracidade do Partido dos Trabalhadores. A origem do impasse é a articulação de uma chapa “puro-sangue” com Jerônimo Rodrigues para o governo e as duas vagas de Senado ocupadas por Rui Costa e Jaques Wagner.

Ao enquadrar Coronel e rejeitar sua neutralidade, Otto coloca o aliado contra a parede: ou aceita ser coadjuvante no projeto do PT (talvez com uma candidatura avulsa arriscada) ou rompe de vez. Se Coronel optar pelo rompimento, o PT perde um senador, tempo de TV e uma rede de prefeitos, colocando em cheque a continuidade do projeto de poder iniciado em 2007.

Maioria ou Medo?

Na entrevista, Otto sacou seus números para isolar Coronel. Ele afirmou que “mais de 90% dos prefeitos consultados” e a maioria dos deputados estaduais querem a aliança com Lula e Jerônimo. “Não é possível submeter a vontade de centenas… a uma proposta de neutralidade”, disse.

No entanto, nos bastidores, a leitura é outra. A adesão maciça pode ser fruto do pragmatismo da máquina pública, mas a insatisfação com o tratamento dado a Coronel ecoa em outras legendas da base que temem ser as próximas vítimas da hegemonia petista.

“Momento Mais Difícil”

O tom grave de Otto ao classificar a situação como “talvez o momento mais difícil da minha vida” denota que o buraco é mais embaixo. Ele sabe que, ao forçar a mão para defender os interesses do PT, pode estar assinando a carta de alforria de Coronel para a oposição.

Se o PSD rachar, a base de Jerônimo sangra. E num cenário eleitoral polarizado, a soberba de querer todas as vagas da chapa majoritária pode ser o erro fatal que a oposição liderada por ACM Neto esperava para encerrar o ciclo petista na Bahia.

Confira a entrevista na íntegra:

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