
Candidado a deputado estadual de direita e vereador de Lauro de Freitas acumula disputas judiciais desde 2020 e se torna alvo de ofensiva política e perseguição judicial por atuação fiscalizadora contra o PT, o governo Jerônimo e pautas esquerdistas.
Desde que ganhou projeção política, em 2020, Gabriel Bandarra Joffily de Souza, o Tenóbio (PL), passou a conviver com uma rotina incomum para um vereador: processos, representações e disputas judiciais que se multiplicam à medida que cresce sua atuação e, principalmente, sua presença nas redes sociais. Hoje ele acumula mais de 530k de seguidores apenas no Instagram.
Levantamentos e publicações que circulam sobre o parlamentar apontam para cerca de 100 ações e representações judiciais envolvendo Tenóbio desde 2020. Muitos vencidos por ele, outros com condenações que ainda cabem recursos. Na última semana, o candidato a deputado estadual pela Bahia (22007), venceu quatro processos.
Entenda quem e por quê processam Tenóbio
O que chama atenção, entretanto, é outro aspecto desse histórico: uma parcela significativa das ações que ganharam maior repercussão recentemente partiu de adversários políticos do vereador ou de grupos identificados com o campo da esquerda e do PT.
É justamente esse padrão que escancara o fato de que Tenóbio vem sendo submetido a uma espécie de cerco judicial e político por sua atuação oposicionista.
Filiado ao PL, Tenóbio construiu sua imagem pública no enfrentamento direto a políticos de esquerda, especialmente integrantes do Partido dos Trabalhadores e Psol. Vídeos e publicações do político miram temas como segurança pública, educação, saúde e cultura.
A estratégia transformou o vereador em um dos nomes mais combativos da direita baiana nas redes e também em um alvo frequente de representações na Justiça Eleitoral.
Contexto das ações contra Tenóbio
Em abril de 2026, por exemplo, uma representação da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, resultou em multa de R$ 20 mil contra o vereador por um vídeo produzido com inteligência artificial envolvendo declarações do governador Jerônimo Rodrigues.
Para os adversários, tratava-se de propaganda eleitoral irregular. Para Tenóbio, o conteúdo estava inserido no campo da crítica e da sátira política.
Nesta semana, ele ganhou três processos. Na primeira decisão, a Justiça determinou a remoção de vídeos publicados nos perfis do governador Jerônimo Rodrigues, do candidato ao Senado Rui Costa e do senador Jaques Wagner.

Segundo a representação, as publicações utilizavam conteúdos produzidos com inteligência artificial sem a identificação exigida pela legislação eleitoral. Entre os materiais apontados estavam animações em 3D, imagens hiper-realistas de um helicóptero e uma produção em pixel art com o número 13. A liminar estabeleceu multa de R$ 1 mil por dia em caso de descumprimento.
Em outra ação, Tenóbio questionou publicações feitas no perfil de Rui Costa que utilizavam balões dourados acompanhados da pergunta “quanto é six + seven?”. Segundo a representação, a estratégia buscava associar a resposta “13” ao número utilizado pelo PT antes do período legal de campanha. A Justiça determinou a retirada do conteúdo e fixou multa diária de R$ 5 mil.
PT e aliados aparecem novamente entre os autores das ações
Em julho, Tenóbio foi novamente condenado ao pagamento de R$ 30 mil por propaganda eleitoral antecipada negativa envolvendo inteligência artificial.
Mais uma vez, a representação partiu da Federação Brasil da Esperança, que reúne justamente PT, PCdoB e PV. O caso envolveu um vídeo publicado pelo vereador nas redes sociais com o título “Forró do PT”.
Em vez de recuar diante das decisões judiciais, o vereador passou a incorporar os próprios processos à sua comunicação política, apresentando-se como vítima de uma ofensiva de seus adversários.
Guerra contra a inteligência artificial
O uso de inteligência artificial transformou 2026 em um dos períodos de maior enfrentamento judicial para Tenóbio. Em março, ele foi condenado a pagar R$ 40 mil em processo envolvendo um vídeo produzido com IA e ataques ao governador Jerônimo Rodrigues.
A ação foi apresentada pelo Avante. Na defesa, Tenóbio argumentou que o conteúdo era uma crítica satírica à política de segurança do governo.
Em julho, outra decisão determinou multa de R$ 35 mil por utilização de deepfake em vídeos que atacavam adversários políticos. Segundo A TARDE, uma das condenações, de R$ 30 mil, envolveu um avatar criado por inteligência artificial que simulava a voz e a identidade de Tenóbio.

Quanto custaria se todas as ações terminassem em derrota
Considerando a estimativa de mais de 100 ações e representações e tomando como referência multas na faixa de R$ 5 mil a R$ 10 mil, uma derrota em todos os casos poderia representar um impacto financeiro de aproximadamente R$ 500 mil a R$ 1 milhão. A conta ajuda a dimensionar o tamanho da exposição judicial que passou a acompanhar a carreira do vereador.
Aquilo que poderia representar desgaste para Tenóbio acabou se transformando em parte de sua própria identidade política. Cada nova ação fornece material para que o vereador se apresente como um político que incomoda seus adversários. Cada multa é utilizada como argumento para sustentar o discurso de que estaria sendo perseguido por enfrentar grupos poderosos.
Em uma Bahia governada pelo PT, Tenóbio ocupa justamente o espaço de oposição que mais confronta o partido nas redes sociais. E, enquanto seus adversários recorrem à Justiça para contestar seus conteúdos, o vereador transforma os próprios processos em combustível para continuar fazendo oposição.
