Professores demitidos da Ucsal apelam para “princípios cristãos” da Igreja para serem pagos

Grupo composto por cerca de 60 docentes foi demitido em julho e ainda não recebeu a indenização
Foto: Divulgação

Com informações Metro 1

Um grupo formado por cerca de 60 professores demitidos pela Universidade Católica de Salvador (Ucsal) divulgou nesta segunda-feira (19) uma carta aberta ao Cardeal Arcebispo Primaz do Brasil Dom Sergio da Rocha — autoridade máxima da instituição — para denunciar irregularidades e “maldades” impostas aos docentes da universidade. 

“A mensagem dos professores da UCSAL convoca o Arcebispo Primaz do Brasil Dom Sergio da Rocha – que além de líder da Igreja Católica também é Grão-Chanceler da universidade -, para, como o membro mais elevado da hierarquia institucional, conforme aponta o estatuto da Universidade, não compactuar com as irregularidades, com a falta de respeito à legislação trabalhista, e, sobretudo, com o modo de tratamento cruel e degradante, que afronta os princípios cristãos defendidos pela Igreja, bem como os direitos humanos […]”, diz trecho da carta assinada pelo grupo. 

Com acúmulo de dívidas e passivo de salários, a Ucsal iniciou um processo de fusão com o Ecossistema Brasília Educacional também em julho deste ano. Antes, em agosto do último ano, os professores da universidade chegaram a indicar que fariam uma greve por tempo indeterminado devido a atrasos salariais, o que acabou não acontecendo após acordo. 

Segundo a professora de Serviço Social, Liane Monteiro, 51 anos, o grupo, que judicializa independentemente diferentes ações contra a instituição, decidiu apelar para a autoridade máxima da igreja para receber  um posicionamento “crítico e transparente para uma resolução do processo”. Todos os professores ainda esperam receber a indenização da demissão.

“Ao longo dos últimos anos, diversos professores demitidos sem indenização. Um dado importante é o não depósito do FGTS e INSS que prescreve depois de 5 anos. Eu entrei com uma ação rápida para liberação do meu FGTS, recebi menos de um terço”, diz a professora. Segundo Liane, outros professores entraram em acordo com a instituição logo após serem demitidos, abriram mão dos direitos trabalhistas em troca do pagamento parcelado e receberam apenas as primeiras parcelas — as outras estão atrasadas e não há previsão para pagamento. 

A docente diz ainda que o maior problema é a forma “desumana e desrespeitosa” que a universidade demite e demitiu os docentes. “Em trabalho intermitente, de regime horista, a universidade pode te deixar de ‘stand-by’. Tem professores que têm 5 anos suspensos e nunca foram demitidos”, afirma. 

“Os professores relatam alguns fatos que vêm ocorrendo na sua relação com a gestão da Universidade e mostram que tudo vem acontecendo com as “bençãos” da Igreja e muitas vezes com a chancela e condescendência da justiça, que vem ignorando sistematicamente as irregularidades e permitindo que a Universidade continue sonegando as leis e os direitos dos professores”, diz a carta aberta. 

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