
A amizade de 40 anos entre os senadores Otto Alencar e Angelo Coronel está por um fio ou talvez já tenha rompido. O que era boato de bastidor virou acusação pública nesta sexta-feira (30), expondo uma fratura exposta no comando do PSD na Bahia.
De um lado, Angelo Coronel nega qualquer tentativa de “golpe” para tomar o partido. Do outro, Otto Alencar é taxativo: houve “quebra de confiança” e mentira sobre uma viagem a São Paulo.
Em entrevista ao Bahia Notícias na noite de hoje, Coronel tentou colocar panos quentes e posou de vítima. O senador afirmou que não está tramando nada e que as notícias sobre sua articulação para levar o PSD para a base de ACM Neto (União) são uma “orquestração” para queimá-lo.
“Eu não tentei tomar o partido. Não tenho conversa com nenhum partido… só vai acontecer se o PSD decidir me expulsar. Tenho uma amizade de 40 anos com Otto, não acredito que serei expulso. Confio que ele vai votar em Coronel e ainda vai pedir voto”, declarou o senador, tentando manter as aparências de unidade.
Mas a narrativa de “amigos para sempre” foi implodida pelo próprio Otto Alencar. Em declaração ao Metrópoles, o presidente estadual do PSD não poupou o aliado e revelou os detalhes da manobra.
Segundo Otto, Coronel usou a chegada do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD nacional como pretexto para tentar intervir no comando da sigla na Bahia. E pior: teria mentido para o líder.
“Ele tinha me dito que ia para São Paulo para ir ao médico. Foi a Kassab pessoalmente para pedir para mudar o rumo do partido [para a oposição]. Kassab me ligou e disse que não havia como fazer a mudança… Foi uma quebra de confiança”, disparou Otto.
O pano de fundo dessa guerra fratricida é a sobrevivência política. Coronel sabe que o PT de Jerônimo Rodrigues arquiteta uma chapa “puro-sangue” para 2026, com Jaques Wagner e Rui Costa ocupando as duas vagas para o Senado, o que deixaria Coronel sem espaço para a reeleição na base governista.
Sentindo-se ameaçado, Coronel teria tentado usar a guinada à direita do PSD nacional (com Caiado) para forçar uma aliança com ACM Neto na Bahia, garantindo sua vaga na chapa majoritária da oposição.
O “golpe” falhou, mas a cicatriz ficou. Resta saber como Otto e Coronel conviverão no mesmo ninho após acusações tão graves de mentira e traição.
