
A filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD não é apenas uma movimentação nacional; é um terremoto político com epicentro em Brasília, mas que pode causar um tsunami na Bahia. A chegada de um nome de peso da direita conservadora ao partido presidido por Gilberto Kassab embaralha as cartas para 2026 e coloca em xeque a liderança incontestável de Otto Alencar no estado.
Segundo informações de bastidores, a entrada de Caiado serve como um “abre alas” para que o senador Angelo Coronel (PSD) hoje insatisfeito com o tratamento recebido na base de Jerônimo Rodrigues (PT) tenha a justificativa perfeita para cruzar a ponte em direção à oposição.
O traçado desenhado por Brasília indica que Otto Alencar pode perder o poder de determinar sozinho o destino do PSD na Bahia. Historicamente alinhado ao PT, Otto se vê agora em uma sigla que caminha para lançar candidatura própria à Presidência da República contra Lula ou contra o candidato do PT.
Com Caiado, Ratinho Jr. (PR) e Eduardo Leite (RS) no partido, Kassab sinaliza que o PSD não será “puxadinho” de ninguém. Se a diretiva nacional for de oposição ou independência ao governo Lula, Otto terá dificuldades em justificar a manutenção da aliança subserviente ao PT na Bahia.
Quem assiste a tudo isso com interesse é Angelo Coronel. O senador, que busca a reeleição e não tem garantias firmes na chapa governista, já começou a dialogar com o outro lado.
No último final de semana, no extremo-sul da Bahia, Coronel e seu filho, o deputado federal Diego Coronel, foram vistos em um encontro com ACM Neto (União) e o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União). Oficialmente, o encontro foi “casual”, promovido por um amigo em comum. Nos bastidores, porém, sabe-se que o tema eleitoral dominou a conversa, ainda que em tom amistoso.
A articulação dessa aproximação teria o dedo do próprio Gilberto Kassab. O presidente nacional do PSD quer fortalecer seus quadros e não descarta composições que garantam a sobrevivência política de seus senadores, mesmo que isso signifique romper com o PT local.
O grupo liderado por ACM Neto vê com bons olhos a chegada de Coronel. A vaga ao Senado na chapa de oposição é cobiçada o Republicanos, de Márcio Marinho e Marcelo Nilo, não abre mão de indicar um nome, mas a estrutura e o peso político de Coronel (agora anabolizado pela presença de Caiado no mesmo partido) o tornam um candidato natural.
Em entrevista recente à CNN, Kassab foi claro: o PSD terá lado, e não necessariamente será o da esquerda.
“O PSD tem uma posição muito clara. Todos sabem que se o governador Tarcísio for candidato, o partido irá apoiar. […] Caso não seja, nós temos pré-candidatos no partido: Ratinho, Eduardo Leite [e agora Caiado]”, afirmou.
A mensagem é direta: o PSD quer protagonismo. E nesse novo cenário, a lealdade cega de Otto Alencar ao PT pode estar com os dias contados, abrindo a “via” para que a Bahia tenha, finalmente, um realinhamento de forças em 2026.
