
De acordo com um levantamento realizado pelo Observatório de Saúde na Infância (Observa Infância), 2.754 bebês com menos de 1 ano foram internados em virtude de desnutrição no ano passado. O estado da Bahia e sua capital, Salvador, se destacaram como os principais responsáveis por esse número alarmante, com 480 e 159 hospitalizações, respectivamente.
A Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) declarou não ser responsável pela solução da questão. A Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da Bahia (Seades), por sua vez, afirmou que sua responsabilidade somente teve início a partir da atual gestão, que tomou posse em 1º de janeiro. Em nota, a pasta informou que suas atribuições incluem articular e efetivar políticas voltadas à redução das desigualdades sociais e à garantia da segurança alimentar e nutricional nos diversos territórios baianos.
A respeito do levantamento feito pela Fiocruz, a Seades reconheceu a gravidade da situação, mas não apresentou soluções concretas para o problema. Segundo a pasta, a questão é complexa e demanda “um olhar e atuação transversal entre políticas de saúde, segurança alimentar, assistência social, educação, dentre outras esferas”.
Confira a nota completa:
Seades reforça compromisso com políticas de redução das desigualdades através da convergência de Assistência Social e Segurança Alimentar
A Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da Bahia (Seades) começa a sua atuação a partir atual gestão do Poder Executivo estadual e possui, dentre suas atribuições, articular e efetivar políticas voltadas à redução das desigualdades sociais e à garantia da segurança alimentar e nutricional nos diversos territórios baianos.
Na Bahia, semelhante ao cenário nacional, é notório e estatístico o aumento das condições de pobreza, de insegurança alimentar e de outras vulnerabilidades sociais, fruto do enfraquecimento ou desmonte de políticas públicas nos últimos períodos em nível federal, situações agravadas ainda mais pela pandemia de Covid-19.
O quadro apresentado pelo estudo do Observatório de Saúde na Infância (Observa Infância), da Fiocruz e Unifase, é parte de uma questão complexa e demanda, certamente, um olhar e atuação transversal entre políticas de saúde, segurança alimentar, assistência social, educação, dentre outras esferas.
Destaca-se, na Bahia, uma das principais políticas de enfrentamento às vulnerabilidades para o público da primeira infância junto ao Sistema Único de Assistência Social (SUAS).
Trata-se do Programa Criança Feliz/Primeira Infância no SUAS, que está presente nos 27 territórios baianos, chegando a 374 municípios, com o seguinte público atendido:
2.655 gestantes acompanhadas;
33.666 crianças de 0 a 72 meses;
192 visitadores de campo.
Os objetivos do Programa Primeira Infância no SUAS são:
• Qualificar e incentivar o atendimento e o acompanhamento nos serviços socioassistenciais para famílias com gestantes e crianças na primeira infância beneficiárias do Programa Bolsa Família (PBF) e Benefício de Prestação Continuada (BPC), políticas que contribuem para o enfrentamento emergencial da fome;
• Apoiar as famílias com gestantes e crianças na primeira infância no exercício da função protetiva e ampliar acessos a serviços e direitos, incluindo acesso aos programas de transferência de renda;
• Estimular o desenvolvimento integral das crianças na primeira infância, em situação de vulnerabilidade e risco social, fortalecendo vínculos familiares e comunitários;
• Potencializar a perspectiva da complementariedade e da integração entre serviços, programas e benefícios socioassistenciais;
• Fortalecer a articulação intersetorial com vistas ao desenvolvimento integral das crianças na primeira infância e o apoio a gestantes e suas famílias.
No campo das políticas de segurança alimentar e nutricional, apesar dos entraves nos últimos governos da esfera federal, existem, na Bahia, as seguintes ações:
– Fornecimento da alimentação nos restaurantes populares na Liberdade e no Comércio, em Salvador, com 5 mil refeições/dia, no valor de um 1 real e gratuito para crianças.
– Vamos ampliar PAA alimento e PAA leite (atualmente fornecimento de leite nas escolas, atendendo crianças de 2 a 7 anos);
– Ampliar implantações de cisternas para acesso a água nas escolas rurais do estado (incluindo educação infantil);
Assim a Seades pretende, portanto, retomar e fortalecer ações na interface assistência social-segurança alimentar, ampliando diálogo e parcerias com as pastas da Saúde (Sesab), Educação (SEC), Programa Bahia Sem Fome, dentre outras frentes do Governo do Estado e dos municípios, aprofundando os levantamentos, informações detalhadas no âmbito do Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico), as experiências exitosas e enfrentando os desafios que se colocam neste novo momento de retomada de políticas e de proteção social efetiva à população que mais precisa.
