
A praça em frente à Escola Municipal 2 de Julho, no bairro de Itinga, em Lauro de Freitas, deveria ser um espaço de convivência, lazer e bem-estar. No entanto, tornou-se um retrato do descaso do poder público. Inaugurada meses antes das eleições municipais de 2020, a praça foi apresentada como uma conquista da então prefeita Moema Gramacho, que prometeu transformar o local. Hoje, porém, o que se vê é abandono: moradores de rua abrigados em instalações deterioradas, equipamentos públicos quebrados e riscos à segurança da população.
A situação precária da praça é evidenciada pela falta de manutenção. Segundo Diego Bomfim, morador de rua da região, ele é o único responsável pela limpeza e conservação do local há quatro anos, relata trabalhar sem qualquer apoio da prefeitura.
“No momento a gente não tá recebendo nada, como eu achei aqui, sem fiação, sem energia, com tudo sujo, a gente mesmo limpa, eu tenho quatro anos aqui, mas ninguém nunca me ajudou em nada” diz Diego.
Banheiros e vestiários estão em condições deploráveis, e a ausência de investimentos públicos transformou o espaço em um ambiente inseguro e insalubre. O descaso não apenas desrespeita os moradores, mas também ignora o potencial do local como área de convivência e promoção de saúde.
Para os frequentadores, como Paulo Henrique, estudante da rede municipal, a indignação é inevitável. Ele testemunha diariamente os perigos que a praça oferece, como um quadro de energia com fios expostos, que coloca crianças e adolescentes em risco.
A erosão próxima aos equipamentos de exercício, já abandonados, agrava ainda mais a sensação de insegurança. Mateus Bráz, aluno do nono ano, expressa o desejo de utilizar o espaço para atividades físicas, mas lamenta a falta de condições adequadas. Seu relato reflete a frustração de uma geração que vê suas oportunidades de lazer e desenvolvimento serem negligenciadas.
“Antigamente tinha aula de dança, capoeira, o povo fazia exercício aqui, hoje em dia não faz mais e eu acho até que o povo não sente mais vontade de vim fazer exercícios aqui, e não usam isso, então vai ficar atoa aí, até eles virem reformar ou tirar” desabafa Mateus.
A responsabilidade pela manutenção da praça cabe à Secretaria Municipal de Infraestrutura, que, em oito anos, falhou em garantir seu propósito original: promover saúde, bem-estar e interação social. Questionada sobre possíveis intervenções, a secretária Jozelene Cardim afirmou que a nova gestão está ciente dos problemas e estuda medidas para revitalizar o local. No entanto, as promessas ainda não se materializaram em ações concretas, deixando a comunidade descrente.
O caso da praça em Itinga é emblemático de um problema recorrente: a priorização de obras como estratégia eleitoral, seguida pelo abandono após o pleito da gestão anterior. A falta de continuidade nas políticas públicas não apenas desperdiça recursos, mas também mina a confiança da população no poder público. Enquanto a praça permanecer abandonada, será um símbolo não só do descaso, mas também da necessidade urgente de uma gestão comprometida com o bem-estar coletivo.
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