
Brasília – O fantasma dos extremos climáticos volta a rondar o Brasil. Um relatório divulgado pela NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) acendeu o sinal de alerta ao apontar que o fenômeno El Niño, previsto para se formar entre maio e julho de 2026.
O dado mais preocupante do boletim mostra que há 37% de chance de o fenômeno evoluir para a categoria “muito forte” — popularmente conhecido como “Super El Niño” — entre novembro deste ano e janeiro de 2027. Outros 30% indicam a possibilidade de um evento “forte”, enquanto a chance de ele permanecer em níveis moderados ou fracos é de 33%.
A NOAA pondera que o cenário ainda é cercado de incertezas. Para que o pior cenário se concretize, é necessário um “acoplamento persistente” entre o oceano e a atmosfera nos próximos meses. Na prática, o aquecimento das águas do Pacífico precisa começar a ditar o ritmo dos ventos e das nuvens na região equatorial de forma contínua durante o verão do Hemisfério Norte, algo que os cientistas ainda monitoram.
Em resposta aos dados americanos, entidades brasileiras como o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e o INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) detalharam os riscos para o país. Caso o superaquecimento do Pacífico se confirme, o Brasil viverá uma realidade dividida por extremos:
O El Niño é caracterizado pelo enfraquecimento dos ventos que normalmente empurram as águas quentes para o lado da Ásia. Sem essa barreira, o calor se espalha pelo Pacífico Central e Oriental, alterando o clima global.
Para definir a gravidade do evento, a NOAA utiliza o índice RONI (Relative Oceanic Niño Index). Entenda a régua de classificação baseada no aquecimento das águas:
| Classificação do El Niño | Aquecimento da Superfície do Mar |
| Fraco | De +0,5 °C a menos de 1,0 °C |
| Moderado | De +1,0 °C a menos de 1,5 °C |
| Forte | De +1,5 °C a menos de 2,0 °C |
| Muito Forte (Super El Niño) | +2,0 °C ou mais |
Os órgãos governamentais ressaltam que, embora a força do El Niño sirva como um forte indicativo, os impactos reais no bolso e na rotina do brasileiro também vão depender de outros fatores, como o comportamento das temperaturas no Oceano Atlântico Tropical nos próximos meses.
