Após Michelle Bolsonaro expor aliança do PL com Ciro Gomes, articulação é suspensa por tempo indeterminado

Foto: Vitor Alcazar

A articulação do PL que buscava aproximar o partido de Ciro Gomes, um dos maiores antagonistas políticos do bolsonarismo, durou pouco. Após a reação firme de Michelle Bolsonaro, que tornou pública sua rejeição à ideia, e dias de tensão dentro da família Bolsonaro, a cúpula do partido decidiu suspender por tempo indeterminado qualquer negociação que envolva Ciro como possível candidato ao governo do Ceará.

A decisão foi tomada nesta terça-feira (2), em Brasília, e comunicada pelo próprio Jair Bolsonaro após receber a visita do senador Flávio Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal, onde o ex-presidente cumpre pena.

O recado foi claro: Ciro Gomes não será o nome do PL no Ceará.

A sinalização inicial de apoio a Ciro, um político que passou décadas atacando a direita, o PL e especialmente Jair Bolsonaro, provocou reação imediata e negativa na base conservadora. Michelle Bolsonaro ecoou esse sentimento de repúdio, expondo publicamente que a defesa de uma candidatura do pedetista era incompatível com o projeto político do bolsonarismo.

O conflito tomou as redes sociais e expôs fissuras internas no PL, que agora tenta recompor a própria imagem.

Após o desgaste, Flávio Bolsonaro declarou que já havia pedido desculpas a Michelle, reconhecendo o erro de avaliação política. Ele destacou que a ex-primeira-dama continua autorizada a atuar e se posicionar politicamente, desde que em sintonia com o grupo e com aval de Jair Bolsonaro.

A mensagem reforça o óbvio: Michelle é hoje um dos principais ativos políticos da direita, e nada que contrarie sua percepção terá vida longa dentro do PL.

Coube ao deputado André Fernandes, responsável pela articulação no estado, oficializar o fim da aproximação com Ciro Gomes. Fernandes afirmou que o objetivo permanece o mesmo: montar uma frente forte para derrotar o PT no Ceará, mas agora com uma escolha alinhada ao espírito do partido e às convicções da base bolsonarista.

A suspensão da articulação devolve o PL ao rumo natural: não há espaço para alianças contraditórias com figuras que representam o oposto do conservadorismo.

O episódio reforça dois movimentos:

Michelle Bolsonaro consolida sua liderança dentro do PL e do bolsonarismo, capaz de vetar caminhos considerados incompatíveis com o projeto da direita.

O PL mostra que entendeu rapidamente o recado da base e evita pagar o preço político de uma aliança improvável com Ciro Gomes.

No fim, a crise serviu para reafirmar a identidade do partido e demonstrar que, mesmo preso, Jair Bolsonaro continua dando a palavra final — e Michelle, cada vez mais, é quem baliza o caminho.

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