Ayahuasca proporciona revolução silenciosa em cérebro humano

Descoberta coloca o Brasil na vanguarda global das neurociências

O neurocientista Stevens Rehen, pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e da UFRJ, liderou um estudo que desafia décadas de estigma. Utilizando organoides cerebrais, que são estruturas tridimensionais de tecido humano cultivadas em laboratório, popularmente conhecidas como “minicérebros” a equipe expôs essas células aos compostos da medicina amazônica.

Os resultados, observados em monitores de alta precisão, contrariam o senso comum proibicionista: em vez de toxicidade ou danos, os pesquisadores testemunharam um fenômeno de vitalidade biológica.

O poder da Harmina, alcalóide presente no Cipó Mariri

A grande surpresa do estudo não residiu no DMT (dimetiltriptamina), o componente responsável pelas visões e experiências psicodélicas do chá. O protagonismo veio da harmina, um alcaloide encontrado no cipó jagube (Banisteriopsis caapi), a parte da mistura que não possui efeitos alucinógenos.

Os dados são impressionantes:

  • Proliferação neural: A harmina aumentou em mais de 70% a proliferação de progenitores neurais humanos.
  • Neurogênese: Na prática, isso significa que a substância estimulou a criação de novos neurônios em laboratório.
  • Segurança biológica: Não houve registro de morte celular ou danos neuronais durante o processo.

“O que observamos foi o oposto do dano: houve crescimento, regeneração e reorganização neural”, relata a equipe de pesquisa.

Uma nova esperança contra o Alzheimer

Para além da criação de novos neurônios, a pesquisa brasileira abriu uma porta crucial para a medicina regenerativa. O estudo identificou que a harmina interfere no transporte de uma proteína específica diretamente associada à doença de Alzheimer.

Essa descoberta coloca o Brasil na vanguarda global das neurociências, sugerindo que compostos derivados da biodiversidade amazônica podem se tornar a base para tratamentos inovadores contra doenças neurodegenerativas, hoje consideradas incuráveis.

O Brasil no centro do mapa científico

O trabalho de Rehen e sua equipe demonstra que a ciência mais avançada sobre substâncias psicodélicas está sendo produzida em solo brasileiro. Ao usar modelos de tecidos humanos em 3D, os pesquisadores conseguem simular o desenvolvimento do cérebro com uma fidelidade impossível de obter em testes com animais.

Enquanto o mundo ainda discute a legitimidade da Ayahuasca, os microscópios no Rio de Janeiro já encontraram a resposta: o que era visto apenas como um chá ritualístico pode carregar em sua química a chave para o futuro da saúde mental e cognitiva.

Entenda o que é a Ayahuasca

A ayahuasca (ou hoasca, daime) é uma bebida enteógena amazônica feita da videira Banisteriopsis caapi e folhas de Psychotria viridis, usada tradicionalmente em rituais xamânicos e religiosos para experiências espirituais e medicinais. Contém DMT e inibidores da MAO, causando intensos efeitos psicoativos e terapêuticos. Embora a Dimetiltriptamina seja controlada, o uso da ayahuasca é legalizado no Brasil para contextos religiosos e rituais.

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