
O neurocientista Stevens Rehen, pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e da UFRJ, liderou um estudo que desafia décadas de estigma. Utilizando organoides cerebrais, que são estruturas tridimensionais de tecido humano cultivadas em laboratório, popularmente conhecidas como “minicérebros” a equipe expôs essas células aos compostos da medicina amazônica.
Os resultados, observados em monitores de alta precisão, contrariam o senso comum proibicionista: em vez de toxicidade ou danos, os pesquisadores testemunharam um fenômeno de vitalidade biológica.

A grande surpresa do estudo não residiu no DMT (dimetiltriptamina), o componente responsável pelas visões e experiências psicodélicas do chá. O protagonismo veio da harmina, um alcaloide encontrado no cipó jagube (Banisteriopsis caapi), a parte da mistura que não possui efeitos alucinógenos.
Os dados são impressionantes:
“O que observamos foi o oposto do dano: houve crescimento, regeneração e reorganização neural”, relata a equipe de pesquisa.
Para além da criação de novos neurônios, a pesquisa brasileira abriu uma porta crucial para a medicina regenerativa. O estudo identificou que a harmina interfere no transporte de uma proteína específica diretamente associada à doença de Alzheimer.
Essa descoberta coloca o Brasil na vanguarda global das neurociências, sugerindo que compostos derivados da biodiversidade amazônica podem se tornar a base para tratamentos inovadores contra doenças neurodegenerativas, hoje consideradas incuráveis.
O trabalho de Rehen e sua equipe demonstra que a ciência mais avançada sobre substâncias psicodélicas está sendo produzida em solo brasileiro. Ao usar modelos de tecidos humanos em 3D, os pesquisadores conseguem simular o desenvolvimento do cérebro com uma fidelidade impossível de obter em testes com animais.

Enquanto o mundo ainda discute a legitimidade da Ayahuasca, os microscópios no Rio de Janeiro já encontraram a resposta: o que era visto apenas como um chá ritualístico pode carregar em sua química a chave para o futuro da saúde mental e cognitiva.
Entenda o que é a Ayahuasca
A ayahuasca (ou hoasca, daime) é uma bebida enteógena amazônica feita da videira Banisteriopsis caapi e folhas de Psychotria viridis, usada tradicionalmente em rituais xamânicos e religiosos para experiências espirituais e medicinais. Contém DMT e inibidores da MAO, causando intensos efeitos psicoativos e terapêuticos. Embora a Dimetiltriptamina seja controlada, o uso da ayahuasca é legalizado no Brasil para contextos religiosos e rituais.

O prefeito Bruno Reis sancionou a lei que veta a exposição de banners, panfletos e vídeos sobre o tema; medida já está em vigor e prevê fiscalização rigorosa.
