
O clima esquentou — ou melhor, congelou — nos bastidores do G7 nesta terça-feira (16), na França. Durante a tradicional “foto de família”, que reúne os principais líderes mundiais e países convidados, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, simplesmente não se cumprimentaram.
O distanciamento público entre os dois líderes acontece em um momento de extrema tensão diplomática e econômica devido às ameaças de novas barreiras comerciais americanas contra o Brasil.
A coreografia diplomática no palco do G7 evidenciou o distanciamento entre Brasília e Washington. Enquanto as lentes do mundo inteiro registravam o momento, o jogo de interações ficou assim:
Apesar do gelo público na hora da foto, os bastidores fervem. De acordo com informações de auxiliares do governo brasileiro, Lula antecipou sua viagem à França com um objetivo muito claro: forçar uma reunião a portas fechadas com Donald Trump.
O motivo da urgência tem nome e sobrenome: o novo tarifaço americano.
O Alvo do Brasil: Lula quer medir pessoalmente o termômetro de Trump em relação à proposta de Jamieson Greer, chefe do escritório comercial dos EUA, que sugeriu uma pesada taxação de 25% sobre produtos brasileiros.
Se a barreira de 25% for consolidada por Trump, a economia brasileira pode sofrer um baque bilionário nas exportações para o mercado norte-americano. É por isso que, mesmo sem um aperto de mãos público, a diplomacia brasileira corre contra o tempo nos corredores franceses para tentar desarmar essa bomba relógio.
A investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) cita “políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico”, o Pix, além de “tarifas preferenciais desleais, aplicação de medidas anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, e desmatamento ilegal”. O prazo para que sejam tomadas medidas corretivas expira em 15 de julho de 2026.
Antes da entrada em vigor do novo tarifaço proposto, o cronograma do governo americano prevê audiências e consultas públicas.Até 22 de junho de 2026: os interessados devem enviar seus pedidos de comparecimento à audiência, juntamente com um resumo do depoimento; 1º de julho de 2026: Prazo para o envio de comentários por escrito sobre as medidas; 6 de julho de 2026: O USTR realizará uma audiência sobre a ação proposta; 15 de julho de 2026: Prazo final para a definição e aplicação das medidas corretivas contra o Brasil.
