CLIMA GELADO NO G7: Lula e Trump se evitam durante foto oficial na França

Desencontro se dá em meio às tentativas de viabilizar encontro para tratar do novo tarifaço.

O clima esquentou — ou melhor, congelou — nos bastidores do G7 nesta terça-feira (16), na França. Durante a tradicional “foto de família”, que reúne os principais líderes mundiais e países convidados, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, simplesmente não se cumprimentaram.

O distanciamento público entre os dois líderes acontece em um momento de extrema tensão diplomática e econômica devido às ameaças de novas barreiras comerciais americanas contra o Brasil.

O Tabuleiro da Foto Oficial: Quem falou com quem?

A coreografia diplomática no palco do G7 evidenciou o distanciamento entre Brasília e Washington. Enquanto as lentes do mundo inteiro registravam o momento, o jogo de interações ficou assim:

  • Os contatos de Lula: Ao chegar, o presidente brasileiro cumprimentou António Costa (presidente do Conselho Europeu) e seguiu para conversas com Keir Starmer (primeiro-ministro britânico) e Abdel Fatah Al-Sisi (presidente do Egito). Na hora do clique, Lula se posicionou entre Ursula von der Leyen (Comissão Europeia) e Friedrich Merz (chanceler da Alemanha).
  • Os contatos de Trump: Do outro lado, o líder americano manteve-se focado em conversas com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, ignorando a presença da comitiva brasileira.

Por trás dos panos: A caça por uma reunião bilateral

Apesar do gelo público na hora da foto, os bastidores fervem. De acordo com informações de auxiliares do governo brasileiro, Lula antecipou sua viagem à França com um objetivo muito claro: forçar uma reunião a portas fechadas com Donald Trump.

O motivo da urgência tem nome e sobrenome: o novo tarifaço americano.

O Alvo do Brasil: Lula quer medir pessoalmente o termômetro de Trump em relação à proposta de Jamieson Greer, chefe do escritório comercial dos EUA, que sugeriu uma pesada taxação de 25% sobre produtos brasileiros.

O Impacto Econômico

Se a barreira de 25% for consolidada por Trump, a economia brasileira pode sofrer um baque bilionário nas exportações para o mercado norte-americano. É por isso que, mesmo sem um aperto de mãos público, a diplomacia brasileira corre contra o tempo nos corredores franceses para tentar desarmar essa bomba relógio.

A investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) cita “políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico”, o Pix, além de “tarifas preferenciais desleais, aplicação de medidas anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, e desmatamento ilegal”. O prazo para que sejam tomadas medidas corretivas expira em 15 de julho de 2026.

Antes da entrada em vigor do novo tarifaço proposto, o cronograma do governo americano prevê audiências e consultas públicas.Até 22 de junho de 2026: os interessados ​​devem enviar seus pedidos de comparecimento à audiência, juntamente com um resumo do depoimento; 1º de julho de 2026: Prazo para o envio de comentários por escrito sobre as medidas; 6 de julho de 2026: O USTR realizará uma audiência sobre a ação proposta; 15 de julho de 2026: Prazo final para a definição e aplicação das medidas corretivas contra o Brasil.

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