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Comando Vermelho cobra taxa para vender água no Ceará; Lula teve 79% dos votos

Comando Vermelho cobra taxa: caminhão carregado de garrafões de água mineral

O Comando Vermelho cobra taxa de comerciantes para permitir a venda de água mineral em Banabuiú, cidade do Sertão Central do Ceará. Segundo os relatos, a facção chegou a condicionar a venda e a distribuição do produto à sua autorização, e a população ficou sem água. Banabuiú é um município onde Lula recebeu 79,17% dos votos válidos (9.903 votos), de acordo com dados do TSE.

Como o Comando Vermelho cobra taxa dos comerciantes

As ameaças começaram em 19 de outubro, quando passou a circular entre os comerciantes uma mensagem intitulada "Edital Banabuiú", assinada em nome do Comando Vermelho. O documento exigia autorização do grupo para vender e distribuir água mineral e previa represálias para quem descumprisse a regra. As cobranças semanais variavam de R$ 200 a R$ 750 por comerciante.

Com medo, comerciantes pararam de vender o produto e distribuidores suspenderam as entregas. O resultado foram corridas aos estoques, longas filas e falta de garrafões. Uma escola municipal chegou a suspender as aulas por falta de água.

A resposta do governo do Ceará

No sábado (31), o governo do Ceará enviou à cidade uma remessa emergencial de cerca de 1.000 garrafões de água, transportada pela Cagece e escoltada por viaturas da Polícia Militar. Três homens foram presos em 22 de outubro, suspeitos de envolvimento nas ameaças e nas extorsões, segundo o Blog do BG. A Polícia Civil segue investigando quem escreveu as mensagens, e o policiamento ostensivo foi reforçado na região. Acompanhe os desdobramentos desse caso na cobertura do Sem Censura.

Facção no interior do Ceará

Não é a primeira vez que o Comando Vermelho cobra taxa no interior cearense. Em Sobral, ao menos sete suspeitos de integrar o CV foram presos em fevereiro por cobrar taxas de comerciantes de água, e a facção chegou a forçar comerciantes a comprar garrafões de apenas duas empresas. Em Cariré e em Meruoca, o Ministério Público e a polícia também investigam cobranças e ameaças atribuídas ao grupo.

O que está em jogo

A cena de uma facção decidindo quem pode vender água a uma cidade inteira mostra o avanço do crime organizado sobre o dia a dia de quem trabalha. É o contribuinte e o pequeno comerciante, e não o governo, que paga a conta quando o Estado perde o controle do território. Para críticos do governo federal, o episódio expõe o tamanho do desafio da segurança pública, tema em que a atual gestão é cobrada por resultados.

Há ainda um contraste que não passou despercebido: a cidade que dá ao presidente quase 8 em cada 10 votos é a mesma que sofre com a ação de uma facção que age sem cerimônia. Resta saber se a resposta do poder público, até aqui concentrada em escolta e entrega emergencial de água, vai chegar à raiz do problema, que é a presença das facções no interior do país.

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