
A investigação sobre o Banco Master deixou de ser um escândalo puramente financeiro para se tornar uma crise política direta no gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As revelações de proximidade entre o empresário Daniel Vorcaro, dono da instituição, e figuras centrais do governo como o senador Jaques Wagner (PT) e ex-ministros colocaram o Planalto no centro de um debate sobre conflitos de interesse e transparência institucional.
O caso escalou após a deflagração da Operação Compliance Zero, que apura um rombo estimado em R$ 50 bilhões envolvendo a venda de créditos inexistentes ao Banco de Brasília (BRB) e o uso irregular do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O envolvimento do Executivo ganhou força com a revelação de um encontro ocorrido em dezembro de 2024. Na ocasião, o presidente Lula recebeu Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto em uma agenda que não constava no registro oficial. A reunião contou com a participação de nomes influentes:
Além de Lula, o senador Jaques Wagner é citado por sua proximidade com personagens ligados ao grupo financeiro, o que tem elevado a pressão política nos bastidores do Congresso.
A relação entre Vorcaro e o governo também passa por contratos públicos. O presidente Lula participou, em abril de 2024, da inauguração de uma fábrica da Biomm, empresa de biotecnologia da qual Vorcaro é acionista. A Biomm firmou contratos com o Ministério da Saúde para o fornecimento de insulina ao SUS que somam R$ 303,65 milhões.
Embora o Ministério da Saúde afirme que a parceria existe desde 2013 e que as licitações seguiram as regras legais, o fato de Lula ter passado a criticar publicamente Vorcaro em janeiro de 2026, chamando-o de “golpista”, aumentou as suspeitas sobre o rompimento de uma relação anteriormente próxima.
A dimensão política do escândalo se estende ao Supremo Tribunal Federal (STF). O relator do caso, ministro Dias Toffoli, e o ministro Alexandre de Moraes enfrentam questionamentos sobre conflitos de interesse no caso de Moraes, devido a um contrato milionário firmado por sua esposa para defender o Banco Master.
Diante desse cenário, a oposição no Congresso Nacional já articula os seguintes passos:
Para juristas, o sigilo imposto ao inquérito e o formato “atípico” da condução no STF alimentam o discurso de proteção aos envolvidos, o que pode mobilizar novas manifestações populares e se tornar um tema central na campanha eleitoral deste ano.
