
Em um discurso carregado de emoção e lágrimas durante um evento do PAC Saúde na Bahia, a prefeita de Gandu, Dai Santana (conhecida como Dai de Leo de Neco), viralizou nas redes sociais ao declarar que o presidente Lula “resgatou o país da margem da pobreza”. No entanto, enquanto o palco político era adornado por agradecimentos, os números oficiais da Bahia e do próprio município de Gandu contam uma história bem diferente — e muito mais cruel.
A fala da prefeita, que se colocou como “fruto das políticas públicas” do PT, ignora que a Bahia, sob gestão petista há quase duas décadas, ostenta índices que envergonhariam qualquer administrador.
Se o resgate da pobreza fosse um fato, como explicar que 46% da população baiana ainda vive abaixo da linha da pobreza? Ou que o estado detém, sistematicamente, uma das maiores taxas de desemprego do Brasil, fechando o primeiro trimestre de 2025 com amargos 10,9% de desocupação?
O contraste mais gritante aparece quando olhamos para a própria casa da prefeita. Apesar do discurso de “ascensão”, os dados do IGMA (Índice de Gestão Municipal Aquila) revelam uma Gandu estagnada:
“A missão de resgatar vidas tem que ser dada seguimento”, disse a prefeita. Mas, para os moradores de Gandu, o “seguimento” parece ser o de permanecer na rabeira do desenvolvimento estadual.
Não se pode falar de “resgate” sem falar de segurança. Sob o domínio do PT, a Bahia se transformou no estado mais letal do Brasil. Com mais de 4.000 mortes violentas em 2025, o governo estadual assiste à exportação de medo, com cidades baianas dominando o topo do ranking das mais perigosas do país.
Enquanto a prefeita pedia um abraço ao presidente, milhares de baianos clamam por segurança básica, educação de qualidade e empregos que não dependam de favores políticos.
O evento em Salvador pode ter rendido boas fotos e vídeos emocionantes para a militância, mas a matemática é apolítica. A Bahia lidera o desemprego, lidera a violência e mantém o Nordeste como refém de assistencialismo que, embora necessário para a sobrevivência, não tem se traduzido em emancipação econômica real.
O “resgate” de Dai Santana parece ter ocorrido apenas para a elite política, enquanto o povo de Gandu continua lutando para subir da 334ª posição no ranking do desenvolvimento.
