“Eleições a cada 4 ou 5 anos não bastam mais”, diz Lula sobre democracia

Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na segunda-feira (21) que só realizar eleições a cada 4, 5 anos “não é mais suficiente” para assegurar a democracia. A declaração foi dada em discurso durante cúpula sobre o tema realizada em Santiago, no Chile.

“Cumprir o ritual eleitoral a cada quatro ou cinco anos não é mais suficiente. O sistema político e os partidos caíram no descrédito. Por essa razão, conversamos sobre o fortalecimento das instituições democráticas e do multilateralismo, em face dos sucessivos ataques que vêm sofrendo. Concordamos sobre a necessidade de regulamentação das plataformas digitais e do combate à desinformação, para devolver ao Estado a capacidade de proteger os seus cidadãos”, afirmou o presidente.

A declaração gerou preocupação entre analistas e setores da sociedade civil. O receio é de que esse tipo de discurso que relativiza a centralidade do voto como base da democracia, possa abrir espaço para interpretações autoritárias.

Historicamente, líderes como Hugo Chávez, na Venezuela, Evo Morales, na Bolívia, e Daniel Ortega, na Nicarágua, utilizaram argumentos semelhantes. Todos afirmaram que a democracia precisava ir além das urnas, e todos promoveram reformas institucionais que, na prática, minaram a alternância de poder e consolidaram governos de caráter autoritário.

A preocupação aumenta quando se observa o recente alinhamento do governo brasileiro com líderes de regimes com histórico de repressão. Em maio deste ano, Lula viajou a Moscou e participou de um desfile militar ao lado de governantes como Emmerson Mnangagwa (Zimbábue), Umaro Sissoco Embaló (Guiné-Bissau) e Ibrahim Traoré (Burkina Faso), este último, um militar que assumiu o poder após um golpe de Estado.

Todos esses países enfrentam acusações de perseguição política, fraude eleitoral ou ruptura institucional. A presença de Lula no evento, ao lado desses líderes, somada à sua fala sobre o papel limitado das eleições, gerou desconfiança entre críticos que veem nesse movimento um sinal de possível reconfiguração da política externa e interna brasileira.

Para esses analistas, a democracia se protege não apenas com instituições sólidas e participação cidadã, mas também com vigilância constante diante de discursos que, sob a justificativa de ampliar direitos, possam fragilizar pilares democráticos fundamentais, como a liberdade de imprensa, a separação dos poderes e o respeito à alternância no comando do Estado.

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