Flávio Bolsonaro usou passaporte italiano para entrar na Argentina e fugir da proibição

Flávio Bolsonaro na fronteira da Argentina com passaporte italiano

Flávio Bolsonaro passaporte italiano foi utilizado para entrar na Argentina na noite de terça‑feira (27/10), apesar de seus passaportes brasileiro e diplomático terem sido cancelados pela Polícia Federal sob ordem do ministro Alexandre de Moraes.

Viagem facilitada pelo acordo do Mercosul

O acordo firmado em 2008 entre os países membros do Mercosul permite que cidadãos utilizem documentos de identidade nacional – como RG e Carteira de Identidade Nacional – em vez de passaporte para circular entre as nações signatárias. Por isso, Flávio Bolsonaro pôde deixar o Brasil pela divisa com a Argentina sem apresentar o passaporte, usando apenas seu RG e CIN.

Passaportes cancelados, mas a fronteira não exigiu

A medida de cancelamento foi tomada após o senador não entregar os documentos no prazo estabelecido pela Justiça. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, acatou o pedido da Polícia Federal e revogou tanto o passaporte comum quanto o diplomático, registrados sob o número DC003744. Ainda assim, a travessia pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú (Misiones), não exigiu o passaporte, permitindo a saída do país.

Rotas e documentos: da Argentina ao EUA

Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio Bolsonaro estava acompanhado da esposa Fernanda Bolsonaro e das duas filhas. Enquanto a esposa e as filhas apresentaram documentos brasileiros, uma das meninas usou a carteira de identidade. O grupo embarcou em voo privado da Baires Fly S.A., com destino a Guayaquil, no Equador, e depois seguiu para Miami, nos Estados Unidos, onde o registro da U.S. Customs and Border Protection confirma a entrada com o passaporte diplomático cancelado.

Repercussões políticas e legais

O episódio reacende o debate sobre a eficácia das restrições impostas a parlamentares e a necessidade de revisão dos mecanismos de controle migratório. O uso simultâneo de passaporte italiano – emitido em fevereiro de 2023 com validade até julho de 2027 – demonstra que políticos com múltiplas cidadanias podem driblar sanções nacionais. Para o governo federal, a situação evidencia vulnerabilidades que podem ser exploradas por opositores e aliados, reforçando a urgência de ajustes legislativos.

Além do aspecto jurídico, a viagem também evidencia a dependência de jatos privados, como o Gulfstream G400, alugado da Baires Fly, que oferece capacidade para 13 passageiros e serviço de bordo completo. O custo e a exclusividade desses recursos continuam sendo alvo de críticas de opositores ao governo, que apontam para um uso privilegiado de bens de luxo por membros da família Bolsonaro.

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