Palanque na avenida: Flávio Bolsonaro vai acionar TSE contra desfile pró-Lula

Senador acusa escola de samba de usar verbas públicas para propaganda política, ataques a Jair Bolsonaro e zombaria contra a família tradicional.
Integrantes da Acadêmicos de Niterói desfilam com fantasias de latas de conserva com a ilustração de uma família tradicional e o texto 'Família em Conserva

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) informou que pretende recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o desfile da Acadêmicos de Niterói, apresentado na Marquês de Sapucaí. O parlamentar afirma que a agremiação utilizou recursos públicos para promover ataques diretos ao ex-presidente Jair Bolsonaro e à “instituição família”, extrapolando o campo artístico para gerar implicações eleitorais.

A equipe jurídica do senador já prepara a medida judicial para ser protocolada nos próximos dias. Segundo Flávio Bolsonaro, a apresentação configurou propaganda eleitoral antecipada para o atual presidente, que é pré-candidato nas eleições deste ano.

Zombaria com a família e setores conservadores

Um dos pontos que mais gerou indignação foi a ala batizada de “neoconservadores em conserva”. A fantasia exibia uma lata com o desenho de uma família formada por homem, mulher e dois filhos.

No material oficial da agremiação, o grupo foi descrito como um símbolo de setores que fazem oposição ao governo Lula, incluindo referências a:

  • Segmentos religiosos: Críticas voltadas especialmente ao público evangélico.
  • Agronegócio: Referências negativas a um dos setores mais produtivos do país.
  • Elite econômica: Figuras associadas ao conservadorismo e defensores do regime militar.

Ataques pessoais e o “esquecimento” da corrupção

O enredo, intitulado “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”, evitou mencionar temas delicados, como os processos de corrupção que marcaram os mandatos anteriores do PT. Em contrapartida, a escola não poupou ataques aos adversários.

Jair Bolsonaro foi retratado como palhaço em dois momentos distintos: na comissão de frente, vestindo a faixa presidencial, e no encerramento, caracterizado como “Bozo” e exibindo uma tornozeleira eletrônica danificada. O ex-presidente Michel Temer também foi alvo de encenações críticas durante a passagem da escola.

Bastidores e cautela governista

A disputa começou antes mesmo do desfile, com tentativas judiciais da oposição para impedir a apresentação, que acabaram não prosperando. Do lado do governo, houve uma estratégia de cautela para evitar complicações na Justiça Eleitoral:

  • Ministros: Foram aconselhados a não participar da apresentação para reduzir riscos de questionamentos legais.
  • Primeira-dama: Janja chegou a cogitar desfilar, mas desistiu pouco antes do início da escola entrar na avenida.
  • Lula: O presidente acompanhou a escola de um camarote e chegou a descer para a área próxima à pista, cercado por forte aparato de segurança.

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