
Um vídeo gravado durante o Carnaval de 2023 voltou a circular com força nas plataformas digitais, colocando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, sob o escrutínio da opinião pública. Nas imagens, registradas em São Luís (MA), Dino — que na época era o Ministro da Justiça e Segurança Pública — aparece em meio à folia, dançando e fazendo o gesto do “L”, símbolo de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A republicação do vídeo em 2026 ocorre em um momento de alta sensibilidade política, no qual a conduta de magistrados e a “politização do Judiciário” são temas centrais de críticas da oposição e de juristas que defendem o rigor na neutralidade da magistratura.
Flávio Dino protagonizou uma das transições mais rápidas da história recente entre o Poder Executivo e o Judiciário. Em 2023, ele era considerado um dos ministros mais “políticos” do governo Lula, frequentemente envolvido em embates diretos e ideológicos com parlamentares da oposição no Congresso. Menos de um ano após o registro carnavalesco, ele foi nomeado e empossado na cadeira deixada por Rosa Weber no STF.
O ressurgimento das imagens serve como combustível para o debate sobre a parcialidade. Críticos utilizam o vídeo para argumentar que a proximidade ideológica e o entusiasmo militante demonstrados por Dino recentemente tornam difícil para a sociedade enxergá-lo como um árbitro neutro da Constituição.
Embora o gesto tenha ocorrido antes de ele assumir a função de juiz, juristas apontam que a postura de “militante de rua” choca-se com o perfil de sobriedade e distanciamento político exigidos pela Lei Orgânica da Magistratura (LOMAN). A LOMAN e o Código de Ética da Magistratura proíbem expressamente que juízes exerçam atividade político-partidária, visando garantir que o cidadão não tenha dúvidas sobre a isenção de quem o julga.
