
A narrativa de “herança maldita” ganhou novos porta-vozes nesta terça-feira (10). Em uma movimentação que soa como música para os ouvidos do Palácio do Planalto, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, uniram vozes para afirmar que o escandaloso caso do Banco Master “vem de outras gestões” e que só está sendo enfrentado agora graças à “coragem” e à “autonomia” garantidas por Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante um balanço das atividades da PF, Andrei Rodrigues não poupou elogios ao indicado de Lula para o comando da autoridade monetária. Segundo o diretor da PF, o problema do Banco Master já se arrastava, mas Galípolo teve a “coragem” de levar os dados à polícia.
O tom de gratidão beirou o religioso. Galípolo, em evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), chegou a declarar: “Agradeço a Deus por passar por isso sob o presidente Lula”. A fala causou estranheza no mercado financeiro e entre defensores da verdadeira independência institucional, soando mais como uma declaração de lealdade política do que técnica.
O ponto mais controverso das declarações foi a exaltação da “autonomia” que Lula estaria concedendo ao BC e à PF. Galípolo sublinhou que a garantia do Presidente da República para que eles possam trabalhar sem serem questionados é “bastante importante”.
No entanto, para o Sem Censura TV, a análise é outra:
O clima de caça às bruxas foi alimentado pelo próprio Lula em janeiro, quando acusou o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, de dar um “golpe de mais de R$ 40 bilhões” enquanto o povo é sacrificado. Agora, com a liquidação do banco confirmada por Galípolo devido ao vencimento de CDBs sem lastro, o governo tenta transformar um desastre financeiro em um troféu político de “moralidade”.
O fato é que o Caso Master servirá de combustível para o PT continuar fustigando o mercado e tentando emplacar a ideia de que o Banco Central só funciona quando é “alinhado” com os interesses do governo.
