
O Arsenal venceu o Liverpool por 1 a 0 em Anfield, no domingo, e encerrou um jejum de 14 anos sem vencer o rival dentro da casa dele pela Premier League. O resultado foi construído com uma atuação defensiva sólida, organizada e disciplinada, que manteve o gol de David Raya intacto. Entre os nomes que mais se destacaram está o zagueiro inglês Ezri Konsa, cuja atuação foi avaliada como de altíssimo nível, e o desempenho de Konsa no Arsenal chama atenção dentro e fora do clube.
Segundo a plataforma de estatísticas Opta, Konsa venceu oito de nove duelos, fez oito cortes, cinco desarmes e cinco recuperações de bola, além de dois bloqueios. Ele ainda sofreu duas faltas. Esses números ajudam a explicar por que o Liverpool, em Anfield, não chegou a finalizar na direção do gol, algo que não havia acontecido na era Premier League. A marca mostra a força coletiva da equipe, mas também o desempenho individual da dupla de zaga.
O entrosamento de Konsa no Arsenal com Gabriel Magalhães chama atenção, a ponto de parecer que os dois atuam juntos há muitas temporadas. Até o momento, o defensor de 29 anos disputou 13 partidas pelo Arsenal nesta temporada e vem mantendo o nível que apresentava no Aston Villa, seu antigo clube. Para muitos observadores, ele já pode ser considerado um reforço que deu certo.
Konsa chegou ao Arsenal em agosto, por 51 milhões de libras, para substituir William Saliba. O francês sofreu uma lesão séria nas costas que o tirou de campo na semifinal da Copa do Mundo entre França e Espanha. Saliba era um dos pilares defensivos da equipe nas últimas temporadas e deve voltar aos gramados apenas no fim deste mês. Mesmo com Christian Mosquera, Piero Hincapié, Riccardo Calafiori e Jurrien Timber disponíveis para atuar na posição, a diretoria optou por buscar um nome de fora.
A escolha mostra uma visão de elenco de longo prazo. Em uma temporada em que o clube disputará todos os títulos, ter jogadores de elite tanto no time titular quanto no banco é essencial para suportar o desgaste físico. A polivalência de Konsa, que também pode atuar como lateral-direito, amplia as opções de Arteta, algo que poucos clubes europeus conseguem oferecer.
Na leitura de quem defende a boa gestão de recursos, um investimento de 51 milhões de libras só se justifica quando há retorno dentro de campo. Até aqui, o desempenho de Konsa indica que a aposta está sendo recompensada, o que reduz a dependência de um único jogador e protege o clube de crises provocadas por lesões. Esse é o princípio básico de uma gestão responsável: planejar com antecedência, diversificar riscos e não depender da sorte para manter a competitividade.
Há ainda um ponto de responsabilidade. Quando o clube investe alto, cobra-se resultado, e a diretoria assume a conta caso a aposta não funcione. Ao optar por um reforço externo, o Arsenal apostou na previsibilidade em vez de improvisar com opções internas, o que, até agora, parece ter sido uma decisão acertada. A disciplina financeira e a clareza nas escolhas são qualidades que o torcedor costuma valorizar, sobretudo quando o clube compete em alto nível.
Com o retorno previsto de Saliba, Mikel Arteta terá de decidir quem atuará ao lado de Gabriel Magalhães. A disputa entre Konsa e Saliba promete ser de alto nível, e o treinador terá de equilibrar desempenho, entrosamento e a necessidade de manter os dois jogadores motivados ao longo de uma temporada longa. Para o Arsenal, esse é o tipo de problema que todo técnico gostaria de ter, pois a concorrência saudável eleva o padrão de todo o elenco.
O resultado em Anfield deixa uma mensagem clara ao restante da Premier League: a defesa do Arsenal está preparada para competir em todas as frentes. Se a solidez demonstrada no domingo se mantiver, o clube terá mais argumentos para sonhar alto na temporada, e a contratação de Konsa passará a ser lembrada como um dos grandes acertos da janela. Mais análises do futebol europeu estão disponíveis no SemCensura.
