MPT-BA processa Rede Mix por uniforme com número 22: suspeita de assédio eleitoral

Camisa da Rede Mix com número 22

O Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT-BA) entrou com ação judicial nesta sexta‑feira, 23 de outubro de 2026, contra a rede de supermercados Rede Mix, sediada em Salvador. A acusação gira em torno da obrigatoriedade de funcionários vestirem camisas com o número 22 durante o expediente, número que coincide com o da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Segundo a procuradora do Trabalho, Manuella Gedeon, o órgão recebeu denúncias e fotografias que comprovam a prática, configurando possível assédio eleitoral. O pedido inclui a suspensão imediata dos uniformes e multa diária mínima de R$ 50 mil em caso de descumprimento.

Denúncias de assédio eleitoral aumentam

A ação do MPT-BA se insere em um cenário nacional de intensificação das denúncias de assédio eleitoral. Conforme divulgado pela Revista Fórum, o Ministério Público do Trabalho registrou 782 denúncias entre o primeiro e o segundo turnos das eleições de 2026, elevando o total anual para 1.773 queixas. São Paulo lidera com 317 registros, seguido por Minas Gerais (200) e Rio de Janeiro (142). O órgão já emitiu 51 termos de ajuste de conduta e 39 ações civis públicas ao longo do ano, além de 29 decisões liminares favoráveis até as 17h de sexta‑feira.

Uniforme 22: símbolo de campanha ou aniversário?

A Rede Mix justificou o número 22 alegando que se trata de referência ao aniversário da empresa, parte de uma campanha institucional anual que ocorre entre o fim de setembro e novembro. Contudo, o MPT-BA aponta que o mesmo número é utilizado pelo candidato Flávio Bolsonaro, o que pode induzir pressão sobre o voto dos trabalhadores. A empresa afirmou ainda que enviou documentos ao Ministério demonstrando campanhas anteriores com o mesmo número, mas não recebeu notificação formal sobre o processo.

Ação judicial do MPT-BA

Na ação cautelar, o Ministério Público solicita que a Justiça determine a suspensão imediata dos uniformes e sua substituição por vestimentas neutras até o fim do período eleitoral. Além da multa diária, o órgão pede que a Rede Mix publique comunicado interno assegurando aos funcionários o direito à liberdade política, ao voto livre e secreto. Caso a empresa descumpra a ordem, o valor da multa será aplicado a cada dia de inadimplência, reforçando a gravidade da infração.

Reação da Rede Mix

Em nota, a Rede Mix reiterou que o número 22 não tem conotação política e que a campanha de aniversário é uma prática tradicional. A empresa informou que ainda não havia sido formalmente notificada sobre o processo e que está aguardando a decisão judicial para ajustar suas políticas internas. Até o momento, não há registro de que a rede tenha interrompido o uso dos uniformes, conforme apontado pela fiscalização do MPT-BA.

Implicações para o segundo turno

Com o segundo turno marcado para domingo, 25 de outubro de 2026, a disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) está em seu ápice. A suspeita de coerção no ambiente de trabalho pode influenciar a percepção pública sobre a campanha de Bolsonaro, especialmente em estados como a Bahia, onde o caso foi identificado. O MPT-BA enfatiza que práticas como o uso compulsório de símbolos eleitorais violam a liberdade de voto garantida pela Constituição.

Perspectivas e possíveis desdobramentos

Se a Justiça conceder a liminar pedida, a Rede Mix terá de substituir os uniformes até o término da campanha eleitoral, o que pode gerar custos operacionais e repercussão midiática. Por outro lado, uma decisão contrária pode abrir precedentes para outras empresas que utilizam numeração em campanhas internas, exigindo maior cautela nas próximas eleições. O caso também reforça o papel do MPT como fiscalizador das condutas empresariais no contexto eleitoral, sinalizando que a pressão sobre o voto dos trabalhadores será acompanhada de perto nas próximas semanas.

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