
A esquerda brasileira acaba de atualizar as definições de intolerância e arrogância intelectual. O novo alvo da patrulha ideológica é ninguém menos que o rei do reggae brasileiro, Edson Gomes. O “pecado” do artista foi ousar discordar publicamente do comunismo, provando que, para certos setores políticos, a sua cor, sua origem e sua arte não te dão liberdade, servem apenas como uma coleira ideológica.
A deputada estadual Olívia Santana (PCdoB) não gostou de ouvir o que não queria. Após Edson Gomes declarar em um show que “nossos filhos são caçados pelos comunistas” e pedir que os pais reajam para evitar que jovens fiquem “à mercê da tirania”, a parlamentar foi às redes sociais para tentar “cancelar” a biografia do cantor.
Para a esquerda, parece impossível aceitar que um homem negro, vindo da periferia e que canta contra as mazelas do sistema, não queira ser um soldado do partido. Olívia chamou Edson de “reacionário” e afirmou que o público se “iludiu” com suas letras. Em outras palavras: se você não pensa como eles, você é um “iludido” ou um “traidor” da própria arte.
O argumento da deputada revela a tentativa persistente de certos setores de monopolizar a cultura e a sensibilidade artística. Olívia aponta uma suposta “contradição” apenas porque as letras de Edson Gomes retratam desigualdades e as duras realidades sociais, como no clássico “Esse sistema é um vampiro”.
A lógica aplicada é autoritária: para a esquerda, se você canta sobre as dificuldades do povo ou as falhas da sociedade, você deve, obrigatoriamente, prestar vassalagem à ideologia comunista. Nessa visão distorcida, não há espaço para a independência intelectual, para o conservadorismo social ou para convicções religiosas. Para a parlamentar, as convicções privadas de Edson Gomes são descartadas como “reacionárias” simplesmente porque ele se recusa a transformar sua arte em um panfleto do PCdoB.
Como de costume, quando o argumento acaba, surge o rótulo. A deputada afirmou que o discurso de Edson “dialoga com narrativas da extrema direita” e que o “bolsonarismo racista e colonial vibrou” com sua fala.
Essa é a tática clássica de encurralar quem diverge:
O caso de Edson Gomes é o retrato de um posicionamento histórico infeliz da esquerda, que tenta transformar identidades (negros, indígenas, homossexuais) em currais eleitorais. Eles não buscam a libertação dessas pessoas, mas sim a submissão a um pensamento único.
Edson Gomes, fiel à sua trajetória de resistência, apenas exerceu o que suas músicas sempre pregaram: a luta contra a opressão. A ironia é que, desta vez, a opressão veio justamente daqueles que se dizem “donos” das causas sociais.
