Polícia Federal prende aliado de Lira

Ex-assessor do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, é suspeito de participar de esquema de fraude em licitações e lavagem de dinheiro
Presidente da Câmara, Arthur Lira | Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) prendeu Luciano Ferreira Cavalcante. Servidor da Câmara dos Deputados, ele é aliado e ex-assessor do atual presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL). Na manhã desta quinta-feira, 1º, Ferreira Cavalcante foi um dos alvos da Operação Hefesto, da Polícia Federal. A ação investiga a formação de organização criminosa para a prática dos crimes de fraude em licitações e lavagem de dinheiro.

A operação é contra investigados por envolvimento em um esquema milionário de desvios de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. As verbas foram repassadas a prefeituras de Alagoas, curral eleitoral de Arthur Lira.

De acordo com a apuração da Veja, os investigadores relatam “veementes indícios de ligação de Lira com um dos investigados”. No entanto, o chefe da Câmara ainda não é alvo de apurações. O caso pode ser levado para o Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que o parlamentar tem foro privilegiado.

O caso foi revelado em abril do ano passado pelo jornal Folha de S. Paulo. A reportagem apontou que kits de robótica haviam sido contratados em municípios de Alagoas com recursos, em boa parte, das emendas de relator do orçamento. Na época, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Lira era quem controlava a distribuição de parte desse tipo de verba.

Além de Alagoas, os mandados também são cumpridos em outros 3 estados e no Distrito Federal. Segundo a polícia, o grupo é suspeito de desviar R$ 8 milhões na fraude.

Um dos alvos é Luciano Ferreira Cavalcante, funcionário da Câmara dos Deputados e que foi nomeado para a liderança do PP na Casa à época em que o cargo era exercido por Arthur Lira (PP-AL), hoje presidente.

A operação

A Operação Hefesto investiga possíveis crimes ocorridos entre 2019 e 2022 na compra dos kits de robótica para 43 municípios no estado de Alagoas com verba do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE).

A investigação apontou que a licitação incluía, de forma ilegal, restrições para direcionar os contratos a uma única empresa. Segundo a PF, foram desviados com o esquema R$ 8,1 milhões.

O esquema já era alvo do Tribunal de Contas da União (TCU) desde 2022 quando determinou ao governo federal a suspensão dos contratos e os repasses para a compra dos kits.

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