
Enquanto a Sapucaí era utilizada como palanque político para exaltar o atual presidente, uma sombra do passado paira sobre a liderança da escola responsável pela homenagem. Wallace Alves Palhares, presidente da Acadêmicos de Niterói, é réu em um processo que apura a morte de Raquel Antunes, de apenas 11 anos, ocorrida durante o Carnaval de 2022.
O caso, que chocou o país, voltou ao centro das atenções após a agremiação ganhar projeção nacional com o enredo dedicado a Luiz Inácio Lula da Silva. Na época do acidente fatal, Palhares presidia a Liga-RJ, entidade responsável pela organização dos desfiles da Série Ouro.
A pequena Raquel foi atingida quando um carro alegórico se movimentou e a prensou contra um poste na área de dispersão do Sambódromo. A menina sofreu traumatismo múltiplo, passou por cirurgias delicadas — incluindo a amputação de uma das pernas — e acabou falecendo dias depois na UTI.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) apresentou denúncia contra oito pessoas, incluindo o dirigente, por homicídio culposo (quando não há intenção de matar). A investigação apontou falhas graves na fiscalização e na segurança da área onde circulam veículos de grande porte, permitindo que crianças transitassem próximas às alegorias sem barreiras adequadas ou escolta.
Em sua defesa, Wallace Palhares e representantes da liga argumentaram que o controle do espaço e o isolamento das alegorias não seriam atribuições diretas da entidade, mas sim de órgãos municipais. Contudo, a Justiça aceitou a acusação, tornando o dirigente réu no processo que tramita na 29ª Vara Criminal da capital.
Atualmente, o processo segue em andamento, com audiências designadas para ouvir testemunhas. Até o momento, não há uma sentença final.
