
Os candidatos à prova da Fuvest 2027 que fizeram a primeira fase neste domingo (1º) em Ribeirão Preto, no interior paulista, disseram que o principal obstáculo não foi a matemática nem o conteúdo do ensino médio, mas o volume de leitura. Para os vestibulandos ouvidos na saída das provas, os enunciados longos e a densidade dos trechos de apoio exigiram fôlego e concentração durante as cinco horas de exame que dá acesso à Universidade de São Paulo (USP).
A organização reduziu o número de perguntas de 90 para 80 nesta edição, mas a percepção dos estudantes foi a de que o corte não aliviou a prova. Segundo os relatos, a prova da Fuvest 2027 compensou a diminuição aumentando a extensão dos enunciados e a complexidade dos textos. Um dos candidatos ao curso de história resumiu a impressão de que a prova continua extensa, ainda que com menos itens, e um candidato ao curso de pedagogia afirmou ter achado os textos bastante complicados.
Na avaliação de parte dos vestibulandos, o rigor do vocabulário e a sofisticação na elaboração das perguntas tornaram a leitura ainda mais cansativa. Um candidato ao curso de direito disse que as palavras eram rebuscadas e que foi preciso manter o foco o tempo todo para não se dispersar. Outros, no entanto, consideraram a prova resolvível, o que mostra que a percepção de dificuldade variou conforme a formação e o curso pretendido.
Além do volume de leitura, a edição chamou atenção por integrar cultura pop a análises acadêmicas e sociais. Entre as referências citadas pelos candidatos estão questões sobre uma condição genética a partir de um ator da série Stranger Things, a apresentação de um cantor no Super Bowl para discutir geopolítica e a música Meninos e Meninas, da banda Legião Urbana. Também houve uma imagem criada por inteligência artificial simulando um encontro entre Elis Regina e Maria Rita.
Entre os temas de cunho social, a prova abordou a proposta de fim da jornada de trabalho 6×1, relacionando-a à teoria da exploração de Karl Marx, além do papel de influenciadores fitness na imagem corporal. Chama atenção que um assunto ainda em debate no país tenha sido levado a um vestibular estadual de grande peso, o que costuma reacender a discussão sobre a neutralidade desses exames. Uma candidata que tenta medicina elogiou justamente a inclusão do tema trabalhista.
A análise literária foi outro ponto lembrado pelos estudantes. Uma candidata mencionou uma questão que relacionava duas poesias da escritora Narcisa Amália e exigia compreender contexto, reação e foco da autora, o que, segundo ela, tornou o item bastante complexo. Já na parte de língua estrangeira, o candidato ao curso de pedagogia relatou que as questões de inglês envolviam conceitos de física, exigindo uma interpretação mais profunda do que ele esperava.
No estado de São Paulo e no centro de prova em Fortaleza (CE), 106,1 mil candidatos se inscreveram para o vestibular. Na região de Ribeirão Preto e Franca, a prova mobilizou 9.377 inscritos distribuídos em nove locais de aplicação. A Fuvest oferece 8.147 vagas em cursos de graduação da USP, sendo 4.888 para ampla concorrência, 2.053 para alunos de escolas públicas e 1.206 para estudantes de escolas públicas autodeclarados pretos, pardos ou indígenas.
Os aprovados nesta etapa seguem para a segunda fase, marcada para 6 e 7 de dezembro. No primeiro dia, a prova cobra português e redação; no segundo, questões específicas da carreira escolhida. A divulgação dos convocados e dos locais de exame está prevista para 23 de novembro, e a primeira chamada oficial para matrícula será publicada em 26 de janeiro de 2027.
Para os candidatos, a combinação de textos longos, vocabulário sofisticado e temas atuais deixou a prova da Fuvest 2027 como um teste de resistência intelectual. O resultado da etapa, com a lista de convocados, dirá em breve quantos dos inscritos da região avançam rumo à USP. Para acompanhar outras notícias sobre vestibulares, acesse o Semcensura.
Atlético-MG e Cruzeiro se enfrentam nesta quinta, às 19h30, na Arena MRV, com transmissão ao vivo pelo Premiere.
