
A crise institucional no Brasil subiu de patamar nesta semana. A Polícia Federal (PF) formalizou junto ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, um pedido de suspeição contra o ministro Dias Toffoli. O objetivo é retirar o magistrado da relatoria das investigações que envolvem o Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025 após um rombo estimado em R$ 17 bilhões.
A fundamentação da PF baseia-se em perícias realizadas nos dispositivos eletrônicos de Daniel Vorcaro, fundador do banco. O celular do banqueiro, descrito por investigadores como uma “bomba-relógio”, contém mensagens que indicam uma relação de proximidade e possíveis pagamentos que colocam em xeque a imparcialidade do ministro para julgar o caso.
O centro das atenções é o Resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). Segundo as investigações, a família de Dias Toffoli especificamente seus irmãos e um primo detinha 33% de participação no empreendimento por meio da empresa Maridt Participações.
O conflito de interesses surge no comprador dessa participação. Parte das cotas foi adquirida por fundos geridos por Fabiano Zettel, que é cunhado de Daniel Vorcaro.
Outro ponto crítico da investigação envolve o fundo Arleen, de propriedade dos irmãos de Toffoli. Em uma manobra financeira ocorrida entre novembro e dezembro de 2025, o valor unitário das cotas deste fundo saltou de R$ 1,51 para R$ 679,13 uma valorização de 450 vezes em apenas dois meses.
Logo após essa valorização astronômica, os ativos (avaliados em R$ 33,9 milhões) foram transferidos para uma empresa estrangeira, a Egide I Holding, baseada em um paraíso fiscal no Caribe. Para a PF, a movimentação é atípica e coincide com o período em que o Banco Master já enfrentava intervenção e liquidação.
Notificado pelo ministro Fachin para se manifestar, Dias Toffoli partiu para o ataque jurídico. Por meio de nota, a defesa do ministro alegou:
O Banco Master deixou um buraco bilionário que afeta desde investidores privados até o BRB (Banco de Brasília), que foi obrigado pelo Banco Central a provisionar R$ 2,6 bilhões para cobrir perdas relacionadas à instituição de Vorcaro. Daniel Vorcaro chegou a ser preso em novembro de 2025 tentando fugir do país, mas foi solto dez dias depois e hoje é monitorado por tornozeleira eletrônica.
A pressão agora recai sobre Edson Fachin. O Senado já sinalizou que pretende convocar o diretor da PF, Andrei Rodrigues, e o presidente do BC, Gabriel Galípolo, para explicar como o “esquema Master” operou sob as barbas dos reguladores e do Judiciário por tanto tempo.
