
A farra acabou, mas a arrogância continua. O rapper Oruam, ídolo de uma geração que romantiza a bandidagem, está oficialmente foragido. Após ter sua prisão preventiva decretada pela Justiça do Rio de Janeiro e confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), a defesa do cantor enviou um recado claro às autoridades: ele não pretende se entregar.
O motivo da ordem de prisão não é perseguição, como a militância gosta de gritar, mas sim o completo desdém pelas regras. Oruam, que respondia em liberdade provisória, transformou sua tornozeleira eletrônica em um adereço decorativo. Segundo relatórios da Secretaria de Administração Penitenciária, o dispositivo ficou descarregado ou sem sinal por dezenas de vezes, violando as condições impostas pelo judiciário.
A decisão do ministro Joel Ilan Paciornik, do STJ, foi cirúrgica: revogou a liminar que mantinha o rapper solto, citando o descumprimento reiterado das medidas cautelares. Em português claro: Oruam teve a chance de responder em liberdade, mas preferiu zombar do Estado.
Agora, escondido (provavelmente sob a proteção do poder paralelo que ele tanto exalta em suas letras), Oruam desafia a Polícia Civil e o Judiciário. Sua defesa alega “falhas técnicas” na tornozeleira — a velha desculpa de quem não assume responsabilidades.
Vale lembrar quem é o personagem. Oruam responde a processos por associação ao tráfico, resistência, desacato e dano ao patrimônio público. Em julho de 2025, ele foi acusado de liderar um grupo que apedrejou viaturas policiais para impedir a prisão de um comparsa. Além disso, ostenta com orgulho o parentesco e a idolatria ao pai, Marcinho VP, um dos chefes históricos do Comando Vermelho.
Enquanto o trabalhador brasileiro é punido por qualquer atraso, Oruam coleciona infrações, exibe cordões de ouro de quilos e agora decide, unilateralmente, que não vai cumprir a ordem judicial.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro já considera Oruam um procurado. Se ele cumprir a promessa de não se entregar, caberá às forças de segurança buscá-lo onde quer que esteja — seja em mansões na Barra ou escondido em comunidades dominadas pelo tráfico.
Fica a pergunta: até quando o Brasil tolerará “artistas” que usam a fama como escudo para a impunidade? Oruam escolheu o caminho do confronto com a Lei. Agora, terá que arcar com as consequências.
